Professor negro é preso sob acusação de crimes no litoral de SP, apesar de estar em sala de aula no momento

Professor negro é preso acusado de roubo após idosa reconhecê-lo por foto

Na última terça-feira (16), a Polícia Civil de São Paulo efetuou a prisão de um professor negro sob a acusação de sequestro e roubo de uma idosa em Iguape, ocorridos em outubro de 2023. A vítima identificou o suspeito por meio de uma foto apresentada pela polícia. No entanto, o advogado do professor alega preconceito racial e questiona a utilização da imagem do educador, que não possui antecedentes criminais, no processo investigativo.

Clayton Ferreira Gomes dos Santos, de 40 anos, foi detido pela polícia após uma idosa o reconhecer como o homem envolvido no crime ocorrido na Avenida Adhemar de Barros, em Iguape. No entanto, o professor estava dando aulas de educação física na Escola Estadual Deputado Rubens do Amaral, na Zona Sul de São Paulo, no mesmo horário e dia em que os delitos foram cometidos. O diretor da escola e a defesa de Clayton afirmam que sua prisão é ilegal, pois ele estava trabalhando no momento do crime.

Segundo relatos da vítima, ela foi abordada por um homem negro, acompanhado de duas mulheres, em um Chevrolet Celta preto. Os criminosos a obrigaram a entrar no veículo, a levaram a uma agência bancária e a fizeram realizar dois saques no valor de R$ 11 mil. Posteriormente, exigiram que o dinheiro fosse depositado na conta de uma das mulheres do grupo e roubaram seus cartões de banco, deixando-a em uma rodovia.

O advogado de Clayton, Danilo Reis, argumenta que o reconhecimento fotográfico utilizado pela polícia é falho e sugere a possibilidade de preconceito racial no caso. Ele questiona como a foto do professor foi incluída no processo investigativo, ressaltando que este nunca teve envolvimento em atividades criminosas anteriores.

A defesa também levanta a hipótese de que a foto e os documentos de Clayton possam ter sido utilizados de forma criminosa por terceiros para incriminá-lo. Apesar disso, a Justiça decretou a prisão temporária do professor em novembro de 2023, a pedido da polícia de Iguape, com o aval do Ministério Público local.

Atualmente, a defesa de Clayton entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo, solicitando a revogação de sua prisão temporária. Eles argumentam que o professor estava trabalhando no momento do crime e que é impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo, especialmente considerando a distância entre São Paulo e Iguape.

Em meio a essas alegações, Clayton passou por uma audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda, onde sua prisão foi mantida. Enquanto isso, sua esposa, Claudia Gomes, lamenta a situação e questiona a necessidade de um inocente ter que provar sua inocência. A defesa destaca que Clayton é uma pessoa honesta e trabalhadora, e que a prisão é injusta.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) respondeu que a prisão de Clayton seguiu os procedimentos da investigação policial, mas destacou que quaisquer irregularidades devem ser comunicadas à Corregedoria da Polícia Civil. O caso continua sob investigação pelas autoridades competentes.

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