Um risco elevado de desenvolver câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão está associado ao consumo de certos corantes e conservantes, conforme revelam três estudos franceses divulgados nesta quinta-feira (21). Essas pesquisas oferecem novas evidências sobre os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde.
Os estudos analisaram o consumo de aditivos alimentares específicos, como corantes (classificados entre E100 e E199) e conservantes e antioxidantes (E200 a E299 e E300 a E399), envolvendo mais de 100.000 participantes ao todo.
Coordenados por Sanam Shah e Anaïs Hasenböhler, com supervisão da epidemiologista Mathilde Touvier, que é diretora de pesquisa no Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm), os trabalhos foram publicados nas revistas Diabetes Care, European Journal of Epidemiology e European Heart Journal. O objetivo declarado é “orientar as políticas públicas”, conforme um comunicado do Inserm.
Pela primeira vez, as investigações confirmaram a relação entre o consumo de corantes alimentares e o aumento do risco de diabetes tipo 2 e câncer. Além disso, evidenciaram a ligação entre conservantes e o risco elevado de hipertensão e doenças cardiovasculares.
Aqueles que consomem mais corantes alimentares apresentam um risco 38% maior de desenvolver diabetes tipo 2, 14% mais chance de câncer geral, além de um incremento entre 21% a 32% no risco de câncer de mama em mulheres após a menopausa, quando comparados aos que têm menor exposição a esses aditivos.
Por outro lado, os indivíduos que ingerem maiores quantidades de conservantes – especialmente sorbato de potássio (E202) e ácido cítrico (E330) – enfrentam um risco 24% maior de hipertensão em comparação com aqueles menos expostos. Eles também têm uma probabilidade 16% superior de contrair doenças cardiovasculares.
Embora essas pesquisas não estabeleçam uma relação direta de causa-efeito, elas se somam a um corpo robusto de evidências que indicam os perigos dos alimentos ultraprocessados, conforme destacou Mathilde Touvier à AFP. “Dentre 104 estudos que abordam as conexões entre alimentos ultraprocessados e saúde, 93 demonstram consistentemente efeitos adversos”, afirmou. “O volume dessa evidência é suficiente para justificar ações no âmbito da saúde pública”.
A ONG Foodwatch declarou que os achados devem provocar uma “reação política” significativa. A organização tem pressionado há anos pela proibição do uso de nitritos devido à sua relação “claramente demonstrada” com câncer colorretal, além do aspartame, que também é considerado um potencial cancerígeno.
No início deste ano, duas pesquisas realizadas pela mesma equipe haviam já indicado uma associação entre o consumo de conservantes e uma maior incidência tanto de câncer quanto de diabetes tipo 2.
© Agence France-Presse








