Uma iguaria da América do Sul, especificamente uma sopa paraguaia, alcançou o primeiro lugar em um dos mais prestigiados rankings da gastronomia, o Taste Atlas. O vori-vori superou pratos tradicionais de regiões europeias e asiáticas, como o Rawon da Indonésia e o Tonkotsu Ramen do Japão, evidenciando a rica herança culinária e afetiva do continente americano.
A nomenclatura vori-vori tem origem no termo guarani borí, que se traduz como bolinha. Esse elemento é fundamental na composição do prato, que consiste em pequenas esferas elaboradas com farinha de milho, queijo paraguaio e gordura ou caldo quente. Essas bolinhas são cozidas em um caldo saboroso de frango (ou carne bovina), aromatizado com vegetais frescos, como cenoura, cebola e aipo. Para proporcionar uma coloração dourada característica, geralmente são adicionados açafrão ou urucum.
O destaque do prato no ranking é interpretado por especialistas como uma homenagem à herança guarani. Essa receita é um exemplo notável da fusão cultural que ocorreu entre as práticas indígenas de processamento do milho e a introdução de laticínios e proteínas trazidos pelos colonizadores espanhóis.
Segundo o relatório do guia, “o vori-vori exemplifica como ingredientes simples e nativos podem ser transformados em uma experiência gastronômica de excelência mundial por meio de técnica e tradição”. A descrição também ressalta “uma característica marcante é a densidade das bolinhas, que absorvem o caldo sem perder a estrutura, conferindo ao prato uma consistência espessa sem a necessidade de farinha ou outros espessantes”.
Amplamente consumido em todo o Paraguai, o vori-vori é um prato comum em lares, encontros rurais e pequenos estabelecimentos gastronômicos. Frequentemente servido em dias frios, combina bem com acompanhamentos simples como mandioca, saladas frescas, queijos leves, chás de ervas e bebidas não alcoólicas levemente aromáticas. Algumas famílias optam por acompanhá-lo com cervejas leves ou vinhos regionais.








