O setor de hortifrúti brasileiro está prestes a alcançar um feito significativo. Neste ano, o país deverá registrar a maior colheita de abacate hass, conhecido popularmente como avocado, já vista. A previsão é que a produção chegue a 60 mil toneladas, o que equivale ao dobro do volume colhido em 2025. Essas informações foram compartilhadas pela Abacates do Brasil, uma associação que congrega produtores, especialistas e viveiristas da variedade.
Um dos principais impulsionadores desse avanço é o mercado externo, uma vez que aproximadamente 90% da produção nacional destina-se à exportação. Ao contrário do abacate tropical comum, o avocado se destaca por suas características comerciais, especialmente sua durabilidade. Com uma vida útil de até 45 dias, esse fruto pode ser enviado por navio para a Europa e outras partes do mundo sem comprometer sua qualidade, tornando a atividade altamente lucrativa.
A crescente demanda levou um aumento expressivo na área cultivada, que passou de apenas 1 mil hectares há uma década para 9 mil hectares quatro anos atrás. Atualmente, estima-se que entre 10 mil e 11 mil hectares sejam dedicados exclusivamente à produção de avocado.
Transformação após crises climáticas
Este recorde histórico traz um alívio bem-vindo ao setor, que enfrentou sérios desafios devido às mudanças climáticas. Nos últimos cinco anos, as lavouras sofreram com altas temperaturas e escassez de chuvas durante o período crucial para o desenvolvimento dos frutos, condições que não favorecem o cultivo que requer clima mais ameno e altitudes elevadas.
Um caso emblemático foi o da Jaguacy Avocado, localizada em Bauru (SP), considerada a maior e pioneira produtora do Brasil. No ano anterior, a empresa teve uma queda de 70% na colheita em decorrência da seca. Contudo, com as condições climáticas mais favoráveis e novos pomares começando a produzir (uma árvore leva cerca de quatro anos para frutificar), a Jaguacy Avocado espera alcançar sua maior colheita até hoje.








