A Petrobras sinalizou que um aumento nos preços da gasolina no Brasil é iminente, em resposta à acentuada pressão internacional gerada pelas crescentes tensões no Oriente Médio e pela alta do petróleo no mercado mundial.
Durante uma teleconferência com investidores, a presidente da empresa, Magda Chambriard, informou que um reajuste nos valores da gasolina deve ocorrer “em breve”, mas a companhia planeja evitar que a instabilidade do mercado externo afete o consumidor brasileiro.
A estatal também está atenta à concorrência do etanol no mercado interno. O cenário internacional gera preocupações principalmente em relação ao Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial pela qual transita aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente.
Nas últimas semanas, o preço do barril de Brent apresentou alta, impactando a produção nas refinarias e elevando os custos para importadores de combustíveis ao redor do planeta.
No contexto brasileiro, essa situação se torna particularmente significativa, pois, apesar do aumento na produção nacional proveniente do pré-sal, os preços internos permanecem parcialmente atrelados ao mercado internacional.
Conforme estimativas da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), os preços praticados pela Petrobras estão defasados em comparação aos valores internacionais.
Atualmente, o diesel está cerca de 30% abaixo da paridade com o mercado internacional, enquanto a gasolina chega a estar até 65% inferior. Essa discrepância sugere que os combustíveis necessitarão de reajustes para alinhar o custo de importação internacional com a oferta nacional, uma diferença que distribuidoras e investidores observam atentamente, já que os preços defasados podem impactar negativamente a atratividade dos investimentos.
Chambriard destacou que a Petrobras busca evitar o repasse imediato do “nervosismo” do mercado internacional aos consumidores. Essa abordagem se alinha à estratégia adotada desde o abandono da Política de Paridade de Importação (PPI), que visava igualar os preços domésticos aos internacionais e resultava em variações frequentes nos preços para o consumidor durante períodos de alta no petróleo, como o atual.
A partir de 2023, com a descontinuação da PPI, a Petrobras implementou um modelo mais adaptável para definir seus preços, levando em conta não apenas os custos internacionais, mas também fatores como despesas internas de produção e as condições do mercado local.
Atualmente, o Brasil produz mais de 4 milhões de barris equivalentes de petróleo diariamente e figura entre os principais exportadores mundiais do produto bruto. Contudo, a capacidade de refino ainda não atende todas as demandas internas.
A expressiva produção no pré-sal, onde alguns projetos alcançam custos em torno de US$ 35 por barril — bem abaixo da média global — contribui para a manutenção estável dos preços praticados pela estatal.
“Estamos cientes da situação. Um aumento no preço da gasolina vai acontecer em breve, mas precisamos garantir que continuemos competitivos no nosso mercado”, afirmou a presidente da Petrobras, ressaltando também sua atenção ao market share da empresa e à evolução do setor do etanol.








