As cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal iniciaram a construção da Soli3, um complexo industrial voltado para o processamento de soja e a produção de biodiesel, localizado em Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul. Com um investimento estimado em R$ 1,25 bilhão, a expectativa é que o projeto comece a operar em maio de 2028, conforme informaram as cooperativas.
O empreendimento é fruto da colaboração entre as três cooperativas e foi oficialmente anunciado em maio de 2025. O objetivo é estabelecer uma infraestrutura industrial que transforme parte da produção agrícola das cooperativas em produtos com maior valor agregado, incluindo biodiesel, óleo degomado, farelo de soja, glicerina e casca de soja peletizada.
A construção teve início real em junho deste ano, após a obtenção da Licença de Instalação concedida pelo governo do Rio Grande do Sul. Este documento foi emitido no dia 18 de junho, finalizando o processo de licenciamento ambiental com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e autorizando a instalação da planta industrial.
No dia 30 de junho, um evento foi realizado pelas cooperativas no local destinado ao complexo para marcar simbolicamente o começo das obras. Durante essa cerimônia, foi anunciado que a instalação ocupará uma área total de 138 hectares, com cerca de 62 mil metros quadrados destinados à construção.
Recentemente, o projeto recebeu um novo impulso com a assinatura de um financiamento de R$ 200 milhões junto ao Banrisul. Este contrato foi formalizado em 1º de setembro durante a Expointer 2026, evento que ocorre em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
O Banrisul se destaca como a primeira instituição financeira a investir recursos no projeto. Segundo Fernando Lemos, presidente do banco, esta operação representa a primeira linha de crédito destinada à implementação do complexo e faz parte de uma estrutura financeira que poderá ser ampliada conforme o progresso das obras.
A expectativa é que a construção seja concluída em aproximadamente um ano e dez meses, permitindo que o processamento industrial comece em maio de 2028. Atualmente, as atividades de terraplenagem estão em andamento e os contratos relacionados à construção civil já foram firmados.
Na fase inicial da Soli3, está prevista uma capacidade para processar cerca de 3 mil toneladas de soja diariamente, totalizando aproximadamente 1 milhão de toneladas anualmente. A produção diária deve incluir cerca de 600 toneladas de biodiesel, 2.200 toneladas de farelo de soja, 60 toneladas de glicerina e 180 toneladas de casca de soja peletizada.
Considerando uma operação anual aproximada de 330 dias, essa capacidade projetada corresponde a cerca de 200 mil toneladas anuais apenas para biodiesel. Esse volume posiciona a nova unidade entre os projetos significativos na cadeia brasileira de biocombustíveis; no entanto, comparações diretas com outras usinas devem levar em conta as variações entre capacidade autorizada e produção efetiva.
A Soli3 planeja também uma expansão futura. Conforme divulgado no início das obras, há previsão para aumentar sua capacidade para até 7.200 toneladas diárias processadas ou aproximadamente 2,6 milhões por ano. Nessa eventualidade ampliada, a produção diária poderia chegar a 1.500 toneladas diárias ou cerca de 500 mil toneladas anuais.
A possibilidade dessa duplicação foi mencionada pelo presidente da Cotrijal na ocasião da assinatura do financiamento com o Banrisul; porém, essa expansão está prevista apenas para uma fase posterior e não integra inicialmente os planos da indústria.
A escolha pela soja como produto principal está ligada à abundância desse grão na região circundante Cruz Alta e à atuação das cooperativas envolvidas na Soli3. Cotrijal, Cotripal e Cotrisal contam com mais de 35 mil associados e operam em mais de cem municípios gaúchos. Juntas, essas cooperativas possuem uma capacidade armazenadora que ultrapassa os 2,8 milhões de toneladas.
A localização estratégica em Cruz Alta também é fundamental para o projeto. A cidade se encontra numa região agrícola significativa do Rio Grande do Sul e oferece acesso à malha ferroviária que interconecta o interior do estado ao porto localizado em Rio Grande.
A linha férrea liga Cruz Alta ao Porto de Rio Grande. Para o funcionamento da Soli3 está planejada uma infraestrutura interna que permitirá aos vagões acessar diretamente a indústria. Segundo Nei Manica, haverá trilhos internos que facilitarão tanto o transporte dos produtos derivados da soja quanto dos insumos necessários como fertilizantes.





