Frutas brasileiras: aliadas no combate à inflamação e ao envelhecimento celular, revela pesquisa

No Brasil, frutas nativas como jabuticaba, açaí, cambuci, guaraná e marolo podem desempenhar um papel significativo na prevenção de doenças relacionadas ao envelhecimento das células. Essa afirmação é resultado de uma revisão científica realizada por acadêmicos da Faculdade de Saúde Pública da USP em colaboração com a Universidad Autónoma do Chile.

A pesquisa compila estudos publicados nas últimas décadas que investigam os compostos bioativos presentes nessas frutas. Os dados sugerem que substâncias como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos são eficazes no combate ao estresse oxidativo e à inflamação, dois fatores associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.

Este trabalho faz parte do doutorado da nutricionista Maria Carolina Zsigovics Alfino, orientado pela professora Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres. A pesquisa integra uma linha de estudo focada na relação entre alimentos, nutrição e saúde mental, enfatizando o potencial da biodiversidade brasileira para promover a saúde.

Elizabeth Torres destaca que encontrar alimentos acessíveis e ricos em compostos benéficos para a prevenção de doenças crônicas pode impactar significativamente as políticas de saúde pública. Contudo, ela ressalta a importância de ser cauteloso com os resultados encontrados. A maioria das evidências se baseia em estudos realizados em células ou animais, e ainda existem poucas pesquisas clínicas envolvendo humanos.

Dentre as frutas estudadas, a jabuticaba foi a mais explorada, com diversas pesquisas apontando suas propriedades antioxidantes e sua capacidade de reduzir marcadores inflamatórios relacionados à obesidade, resistência à insulina e problemas cardiovasculares.

O açaí, por sua vez, também se destacou, especialmente por conta de seus subprodutos. As sementes apresentaram altas quantidades de procianidinas, compostos conhecidos por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O guaraná chamou a atenção pelo seu potencial efeito neuroprotetor associado à combinação de cafeína e catequinas.

Além disso, a revisão sugere que esses compostos podem ter um impacto positivo na microbiota intestinal, promovendo bactérias benéficas e diminuindo inflamações sistêmicas. Esse efeito é considerado crucial para o que se denomina conexão intestino-cérebro.

Outro aspecto relevante destacado pelos pesquisadores é o uso de partes frequentemente descartadas das frutas, como cascas e sementes, que também demonstraram ter potencial biológico. Para os autores do estudo, esses achados ressaltam a importância de valorizar espécies brasileiras que ainda não são amplamente utilizadas na dieta diária.

O artigo intitulado Potential of Native Brazilian Fruits in Modulating Oxidative Stress and Inflammation: A Focused Review foi publicado em junho de 2026 na revista Antioxidants.

*Com informações de Jornal USP

Related Posts

Quarenta mil brasileiros diagnosticados anualmente com câncer enfrentam atrasos de até 80% nas descobertas da doença

“Julho Verde 2026” mobiliza especialistas para ampliar conscientização sobre a doença, que já é a terceira mais incidente no país; saiba mais

Conversar consigo mesmo: uma prática benéfica para a saúde mental, revela pesquisa científica

Quem nunca comentou em voz alta uma tarefa que precisava fazer, repetiu uma informação para não esquecer ou ensaiou uma conversa antes de uma situação importante? Apesar de muitas vezes ser visto com estranhamento, o hábito de falar sozinho faz parte do funcionamento normal do cérebro e pode ter efeitos positivos sobre a cognição. Pesquisadores […]