Expedição revela nova espécie rara em uma das regiões mais inóspitas do Atlântico

Uma missão científica inovadora explorou uma das áreas menos conhecidas do Oceano Atlântico e conseguiu, pela primeira vez, capturar imagens em vídeo de um peixe-barril (Winteria telescopa) em seu ambiente natural.

O anúncio desse feito foi feito por um instituto após uma expedição que durou 35 dias, ocorrida entre 17 de maio e 20 de junho de 2026, na Zona de Fratura de Doldrums, localizada a aproximadamente 1.300 quilômetros da costa nordeste do Brasil, na região equatorial do Atlântico.

Organizada pelo Schmidt Ocean Institute, a missão também resultou na descoberta de dois campos hidrotermais desconhecidos até então e trouxe novas informações sobre a circulação de fluidos na crosta oceânica.

O peixe-barril avistado pertence à família Opisthoproctidae e é raro em condições naturais devido às suas características visuais peculiares adaptadas à vida nas profundezas.

Com um corpo alongado e olhos tubulares, o Winteria telescopa possui uma estrutura transparente que envolve sua cabeça.

Winteria telescopa.
Créditos: Schmidt Ocean Institute/ reprodução

 

Os olhos do peixe, que estão direcionados para cima, são uma adaptação necessária para a vida em regiões oceanográficas profundas, onde a luz proveniente da superfície é extremamente reduzida.

Esse peixe habita uma zona intermediária entre as águas ainda iluminadas e as áreas mais profundas do abismo oceânico.

A sensibilidade dos seus olhos permite que ele perceba bioluminescência, um fenômeno gerado por reações químicas que produzem luz. Nos ambientes profundos do oceano, essa bioluminescência é utilizada por diversas espécies para atrair presas, confundir predadores ou comunicar-se.

A profundidade onde o peixe foi observado é parte da zona mesopelágica, comumente referida como zona crepuscular do oceano, onde a maior parte da radiação luminosa é absorvida ou dispersa nas camadas superiores das águas.

A Zona de Fratura de Doldrums integra um sistema tectônico ligado à Dorsal Mesoatlântica, uma vasta cadeia de montanhas submarinas que se estende pelo fundo do Oceano Atlântico.

Nesse sistema geológico existem falhas transformantes e zonas de fratura onde os segmentos da dorsal são deslocados lateralmente. A Zona de Fratura de Doldrums é uma dessas estruturas significativas.

De acordo com o Schmidt Ocean Institute, essa área apresenta uma diversidade geológica com escarpas, bacias sedimentares e locais onde a movimentação da água pela crosta pode alterar quimicamente os fluidos subterrâneos. Esses fluidos têm potencial para retornar ao oceano e criar ambientes propícios para comunidades microbianas e outros organismos especializados.

A expedição foi coordenada pelo pesquisador Aaron Micallef, do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), que combinou o mapeamento detalhado do fundo oceânico com observações feitas pelo ROV SuBastian.

Além disso, esta missão representou a estreia científica do veículo autônomo submarino Childlike Empress, projetado para gerar mapas de alta resolução do leito marinho e identificar assinaturas químicas relacionadas à movimentação dos fluidos.

 

Related Posts

Desvendando os recentes acontecimentos no Nepal

Uma das maiores tragédias naturais recentes do Nepal atingiu o país na manhã de quarta-feira (26), quando uma gigantesca onda de água, gelo, lama e rochas desceu pela região montanhosa próxima à fronteira com a região Autônoma de Xizang, na China. A enchente repentina destruiu comunidades, pontes e estradas e deixou centenas de pessoas desaparecidas. […]

Descoberta uma nova espécie na Mata Atlântica do litoral de São Paulo

Pesquisadores associados ao Laboratório de Sistemática de Plantas, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, em colaboração com pesquisadores de outras instituições brasileiras e da Dinamarca, descobriram uma nova espécie de planta da família Rutaceae, a mesma das laranjas e dos limões. A planta, até então desconhecida pela ciência, […]