Vida longa, mas com desafios: brasileiro enfrenta mais de uma década de enfermidades

A longevidade dos brasileiros tem aumentado, porém os anos adicionais nem sempre são desfrutados com saúde. Em média, a população do país passa cerca de 12,5 anos lidando com doenças, limitações ou incapacidades, conforme revela um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health.

A pesquisa analisou dados de 204 países e territórios no período de 1990 a 2023. No Brasil, o tempo médio vivido com problemas de saúde cresceu de 10,4 para 12,5 anos nesse intervalo, representando um aumento de 2,1 anos, ou aproximadamente 20%.

Com isso, o Brasil ocupa a 16ª posição entre as nações que apresentam a maior discrepância entre a expectativa total de vida e o período vivido em plena saúde.

Conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer alcançou 76,4 anos em 2023 e subiu para 76,6 anos em 2024. Esses dados refletem uma recuperação após os efeitos da pandemia; no entanto, o estudo internacional enfatiza a importância da qualidade desses anos extras.

A conclusão não indica que todos os brasileiros enfrentem doenças durante toda a velhice; ao contrário, evidencia que o aumento na longevidade não foi acompanhado por um crescimento proporcional no tempo vivido sem doenças ou limitações.

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O que significa viver mais de 12 anos com doenças?

Para chegar aos resultados apresentados, os pesquisadores calcularam a lacuna de morbidade, uma métrica que reflete a diferença entre a expectativa total de vida e a expectativa de vida saudável.

Por exemplo, uma pessoa pode viver até os 76 anos, mas passar parte desse tempo lidando com dores crônicas, deficiências físicas, perda de mobilidade, depressão, ansiedade ou diabetes — condições que afetam sua autonomia.

É importante ressaltar que esse número médio não significa que todos os brasileiros passarão exatamente 12 anos e seis meses doentes ou que esse período ocorra apenas no final da vida. Trata-se de uma média populacional que inclui diferentes graus de limitação.

A análise também leva em conta problemas que podem não resultar diretamente em morte, mas que impactam negativamente na rotina diária e na qualidade de vida das pessoas.

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Crescimento do período em 20% desde 1990

No ano de 1990, os brasileiros passavam em média 10,4 anos enfrentando algum tipo de condição médica. Esse índice já estava acima da média global da época, que era estimada em 8,8 anos.

A lacuna aumentou para 11,2 anos em 2010, chegando a 11,7 anos em 2020. Durante o período da pandemia, esse número caiu para 11,4 anos em 2021, embora isso não tenha indicado uma melhora na saúde da população.

A diminuição ocorreu porque tanto a expectativa total de vida quanto a expectativa saudável diminuíram devido ao aumento das mortes causadas pela Covid-19.

A recuperação dos índices levou à nova alta: alcançando 12,2 anos em 2022, chegando aos atuais 12,5 anos em 2023.

Diante disso, os dados do IBGE ressaltam as consequências da pandemia. A expectativa de vida no Brasil caiu de 76,2 anos em 2019 para 72,8 anos em 2021. Em seguida, recuperou-se para 76,4 anos em 2023.

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Dentre as principais doenças prejudiciais à qualidade de vida estão:

  • dificuldades musculoesqueléticas como dor lombar;
  • distorções mentais incluindo ansiedade e depressão;
  • dificuldades sensoriais como perda auditiva;
  • aumento nas lesões não intencionais principalmente relacionadas a quedas;
  • dentre outras doenças crônicas.

Dentre os fatores de risco mais comuns estão a aumento dos níveis glicêmicos, o sobrepeso, além do uso do tabaco.

Categorias como diabetes e obesidade podem persistir por longos períodos e contribuir para problemas cardiovasculares e limitações funcionais. Como essas condições não levam necessariamente à morte imediata, ampliam ainda mais a diferença entre viver mais e viver com saúde.

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Paises desenvolvidos dominam ranking global

No ano de 2023 , os cinco países com as maiores lacunas de morbidade foram:

  1. Estados Unidos:14 anos ;
  2. Austrália:13 ,9 anos ;
  3. Canadá:13 ,7 anos ;
  4. Nova Zelândia:13 ,1 anos ;
  5. Holanda:12 ,9 anos .

    A menor lacuna foi observada nos seguintes países:

    1. Nauru :6 ,9 anos ;
    2. Ilhas Salomão :7 ,3 anos ;
    3. Laos :7 ,4 anos ;
    4. Tuvalu :7 ,6 anos ;
    5. Madagascar :7 ,7 anos .

      Isto não implica que as nações com índices mais baixos ofereçam melhores condições gerais de saúde. Em muitos casos, suas expectativas médias são inferiores; consequentemente reduzindo o tempo disponível para acumular doenças crônicas e limitações.

      Diferencial entre sexos: mulheres vivem mais mas adoecem mais também .

      A pesquisa também destacou diferenças significativas entre homens e mulheres. Em 2023, as mulheres passaram uma média de12 ,1anoss lidando com problemas relacionados à saúde , enquanto os homens enfrentaram apenas9 ,3anos .

      As mulheres têm maior expectativa média no Brasil – 79 ,7anoss contra73 ,1anoss dos homens.

      As mulheres vivem mais tempo mas também sofrem por períodos maiores com enfermidades crônicas e limitações funcionais.

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      Novo desafio vai além da mortalidade : é preciso garantir qualidade .

      Os pesquisadores afirmam que esses resultados indicam que as políticas públicas devem ir além da simples redução das taxas de mortalidade. O novo desafio envolve assegurar um tempo menor convivendo com enfermidades e limitações.

      Para isso é fundamental investir em prevenção eficaz , diagnóstico precoce , vacinação adequada , promoção da saúde mental , alimentação balanceada , atividades físicas regulares juntamente ao acompanhamento das condições crônicas.

      Nos últimos tempos o Brasil conseguiu ampliar significativamente sua expectativa média; contudo agora é necessário garantir que esses novos ‘anos’ sejam vividos com autonomia e qualidade.

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