Os verdadeiros inimigos estão onde menos se espera!

A crescente influência da extrema direita leva à rotulação de todos os opositores como terroristas.

Essa categorização abrange diversos tipos de adversários, mesmo aqueles que atuam dentro dos limites democráticos. Trata-se de uma perspectiva alarmante, que emprega o lawfare e a judicialização da política, estratégias que resultaram no impeachment de Dilma e na prisão de Lula.

Esse método é um meio direto de deslegitimar os concorrentes, posicionando-os como inimigos e os tratando como terroristas.

A verdadeira definição de terroristas envolve o uso da violência para fins políticos. Qualquer forma de oposição em um regime democrático deve ser debatida com base em ideias e visões de mundo, independentemente do quão radicais possam ser essas posições.

Uma maneira eficaz de desqualificar um desafiante é rotulá-lo como terrorista. Essa abordagem elimina a necessidade de argumentação, bastando um insulto para desmerecer o outro.

Ao adotar essa postura, afirmam-se como defensores da democracia, mesmo utilizando táticas não democráticas, como a rotulação dos rivais. Acreditam que essa prática é uma demonstração de democracia.

Contudo, essa visão deve ser confrontada diretamente. Introduzir essa terminologia para desacreditar opositores revela uma compreensão autoritária dos conflitos políticos e ideológicos, em vez de democrática.

Aqueles que utilizam esse termo não possuem características democráticas. Um verdadeiro democrata respeita as divergências e se engaja com o outro através do diálogo e da argumentação, ao invés da desqualificação.

A forma como se define o outro serve também para se autodefinir. Ao classificar alguém como terrorista, a pessoa automaticamente rebaixa seu opositor a um ponto onde não há necessidade de apresentar argumentos para contestá-lo.

Desqualificar um adversário, mesmo sem recorrer à violência, implica em excluí-lo do debate e isentar-se da obrigação de argumentar. Por definição, o “terrorista” é visto como o mal, enquanto quem faz essa rotulação se posiciona como o bem.

No governo Donald Trump, mais de 50 mil indivíduos foram detidos em apenas um mês. O uso de métodos opressivos e brutais contra imigrantes é evidente. Quando a mídia tradicional menciona Maduro, por exemplo, frequentemente usa termos como ditador ou ex-ditador. Em contrapartida, quando se refere a Trump, esses adjetivos raramente aparecem, apesar das críticas direcionadas ao seu governo.

O conceito de terrorista sempre se destina ao outro. Em contrapartida, na perspectiva democrática, quem desqualifica dessa forma assume a posição oposta.

*Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Fórum.

Related Posts

Interior paulista abriga o maior viveiro de lúpulos do Brasil, se destacando no cenário cervejeiro nacional

Durante décadas, a produção de cerveja no Brasil dependeu quase que exclusivamente da importação de lúpulos vindos de países como Alemanha, Estados Unidos e Nova Zelândia. Campinas rompeu esse paradigma ao unir a vocação agrícola do interior com o rigor científico. Com viveiros autorizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a cidade tornou-se a […]

Rafael Fonteles assume a dianteira na corrida pelo governo do Piauí segundo Atlas

O governador Rafael Fonteles (PT) aparece com ampla vantagem na disputa pelo governo do Piauí e seria reeleito no primeiro turno, segundo pesquisa AtlasIntel/MeioNorte divulgada nesta quinta-feira (3). Fonteles tem 62,4% das intenções de voto, quase três vezes o percentual registrado por Joel Rodrigues (PP), que aparece na segunda colocação, com 20,9%. Na sequência estão […]

Deixe um comentário