A crescente influência da extrema direita leva à rotulação de todos os opositores como terroristas.
Essa categorização abrange diversos tipos de adversários, mesmo aqueles que atuam dentro dos limites democráticos. Trata-se de uma perspectiva alarmante, que emprega o lawfare e a judicialização da política, estratégias que resultaram no impeachment de Dilma e na prisão de Lula.
Esse método é um meio direto de deslegitimar os concorrentes, posicionando-os como inimigos e os tratando como terroristas.
A verdadeira definição de terroristas envolve o uso da violência para fins políticos. Qualquer forma de oposição em um regime democrático deve ser debatida com base em ideias e visões de mundo, independentemente do quão radicais possam ser essas posições.
Uma maneira eficaz de desqualificar um desafiante é rotulá-lo como terrorista. Essa abordagem elimina a necessidade de argumentação, bastando um insulto para desmerecer o outro.
Ao adotar essa postura, afirmam-se como defensores da democracia, mesmo utilizando táticas não democráticas, como a rotulação dos rivais. Acreditam que essa prática é uma demonstração de democracia.
Contudo, essa visão deve ser confrontada diretamente. Introduzir essa terminologia para desacreditar opositores revela uma compreensão autoritária dos conflitos políticos e ideológicos, em vez de democrática.
Aqueles que utilizam esse termo não possuem características democráticas. Um verdadeiro democrata respeita as divergências e se engaja com o outro através do diálogo e da argumentação, ao invés da desqualificação.
A forma como se define o outro serve também para se autodefinir. Ao classificar alguém como terrorista, a pessoa automaticamente rebaixa seu opositor a um ponto onde não há necessidade de apresentar argumentos para contestá-lo.
Desqualificar um adversário, mesmo sem recorrer à violência, implica em excluí-lo do debate e isentar-se da obrigação de argumentar. Por definição, o “terrorista” é visto como o mal, enquanto quem faz essa rotulação se posiciona como o bem.
No governo Donald Trump, mais de 50 mil indivíduos foram detidos em apenas um mês. O uso de métodos opressivos e brutais contra imigrantes é evidente. Quando a mídia tradicional menciona Maduro, por exemplo, frequentemente usa termos como ditador ou ex-ditador. Em contrapartida, quando se refere a Trump, esses adjetivos raramente aparecem, apesar das críticas direcionadas ao seu governo.
O conceito de terrorista sempre se destina ao outro. Em contrapartida, na perspectiva democrática, quem desqualifica dessa forma assume a posição oposta.
*Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Fórum.





