Uma inovadora plataforma de inteligência artificial está sendo criada para auxiliar mulheres a lidarem com casos de violência no meio digital. O Latinas IA deverá iniciar suas operações ainda neste segundo semestre, funcionando como um recurso de orientação e proteção, que compila informações confiáveis, conteúdos para checagem, guias sobre segurança digital e acesso a redes de suporte.
A iniciativa foi concebida pela jornalista carioca Marcelle Chagas, que é pesquisadora da Mozilla Tech & Society Fellow, em colaboração com o Meedan e é gerenciada pela Suwali. O objetivo é proporcionar respostas ágeis a situações como invasões de contas, vazamentos de dados, assédio, perseguições, desinformação e ataques organizados.
Conforme informações da Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP), que lidera essa ação, a ferramenta foi desenvolvida considerando as experiências das mulheres latino-americanas e busca estabelecer conexões entre usuárias e especialistas, além de organizações e iniciativas voltadas à proteção.
Aumento da intimidação de gênero em ano eleitoral
A criação dessa ferramenta ocorre em um contexto de crescente preocupação com a violência digital direcionada às mulheres. Estatísticas da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), vinculada ao Ministério das Mulheres, revelam que entre janeiro e maio de 2026 foram registradas 16.725 denúncias de violência digital contra mulheres. Em contrapartida, no mesmo período do ano anterior, foram contabilizadas 5.795 ocorrências, representando um aumento impressionante de 188,6%.
Esse problema se agrava ainda mais em anos eleitorais, quando mulheres que se candidatam ou ocupam cargos políticos se tornam alvos mais vulneráveis nas redes sociais. Estratégias como ataques coordenados, desinformação e manipulação de dados podem ser utilizadas para intimidar e silenciar essas figuras públicas.
A Rede também mantém a Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE), uma iniciativa focada em capacitar profissionais em segurança digital e gerenciamento de incidentes. Essa proposta visa fortalecer a proteção das mulheres atuantes em esferas públicas visíveis, especialmente face ao aumento da violência política baseada em gênero e raça no ambiente virtual.








