O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20), revela que as regiões Norte e Nordeste abrigam os estados com as piores condições de vida do Brasil. A avaliação foi realizada com base em 57 critérios, divididos em três dimensões principais: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.
Essa pesquisa é fruto de uma colaboração entre o Imazon, a Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a organização internacional Social Progress Imperative.
Os 10 estados brasileiros com menor qualidade de vida em 2026
- Pará — 55,80
- Maranhão — 57,59
- Acre — 58,03
- Amapá — 58,10
- Rondônia — 58,60
- Bahia — 58,72
- Alagoas — 58,97
- Amazonas — 59,34
- Roraima — 59,65
- Piauí — 60,48
A média nacional registrada no IPS Brasil 2026 foi de 63,40 pontos em uma escala que varia de 0 a 100.
O estudo aponta que os estados com os piores resultados enfrentam fragilidades em diversos setores como saneamento básico, saúde, infraestrutura urbana, violência e inclusão social.
Os pesquisadores sublinham que muitos dos desafios enfrentados pelos estados das regiões Norte e Nordeste estão ligados à histórica desigualdade na distribuição de investimentos públicos. Além disso, a baixa conectividade logística e a grande distância dos centros econômicos significativos agravam esses problemas.
No caso da Amazônia Legal, por exemplo, existe um alto nível de isolamento territorial em vários municípios e uma densidade populacional reduzida. Essa realidade eleva os custos para desenvolver infraestrutura e limita o acesso a serviços essenciais.
O estado do Pará ocupa a última posição no ranking nacional com uma pontuação de apenas 55,80 na escala mencionada.
Conforme o IPS, um dos principais fatores que afetam negativamente o desempenho do Pará é a questão ambiental. Os estados da Amazônia Legal apresentam indicadores alarmantes relacionados à Qualidade do Meio Ambiente devido ao desmatamento contínuo, queimadas e altas emissões de gases de efeito estufa.
Tais índices são diretamente influenciados por atividades do setor primário como mineração e pela expansão da fronteira agrícola. O Pará também lida com problemas históricos relacionados à distribuição desigual da renda e à dificuldade em universalizar serviços públicos.
Acre, Amapá e Rondônia enfrentam desafios semelhantes aos do Pará.
Na penúltima posição do ranking aparece o Maranhão. O estado enfrenta dilemas históricos associados à pobreza multidimensional e à precariedade do saneamento básico. Além disso, segundo dados do IBGE, ele figura entre os estados com as menores rendas domiciliares per capita do Brasil.
No entanto, o IPS destaca que alguns estados nordestinos apresentam indicadores relativamente melhores em termos de inclusão social quando comparados às regiões mais abastadas do país.
O relatório indica que a dimensão “Oportunidades” continua sendo a maior fraqueza estrutural no Brasil. A nota média nacional para essa categoria foi apenas de 46,82.
Dentre os resultados mais preocupantes estão os relacionados aos Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22), este último apresentando uma trajetória descendente desde o ano de 2024.








