Cientistas de todo o mundo estão empenhados em encontrar novas abordagens para tratar a doença de Alzheimer, e dois laboratórios brasileiros estão se destacando nesse desafio. Recentemente, os pesquisadores Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram reconhecidos por organizações internacionais por suas contribuições significativas sobre o tema.
Lourenço foi premiado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, concedido pela organização Alba a cientistas no meio de suas carreiras que já alcançaram conquistas notáveis. Enquanto isso, Brum foi selecionado como o Next One to Watch (“O próximo para ficar de olho”, em tradução livre), prêmio entregue pela Alzheimer’s Association a jovens cientistas promissores.
A doença de Alzheimer é considerada um dos grandes desafios da medicina, pois até o momento poucos tratamentos se mostraram eficazes para retardar sua progressão, e ainda não foi encontrada uma cura.
O sintoma mais comum é a perda de memória recente, mas à medida que a doença avança, o paciente também enfrenta dificuldades de raciocínio, comunicação e mobilidade, tornando-se totalmente dependente.
Estudos realizados pelos cientistas brasileiros
O professor da UFRJ Mychael Lourenço tem explorado o Alzheimer desde sua graduação em Biologia, aprofundando seu interesse ao longo do mestrado, doutorado e pós-doutorado, até estabelecer o Lourenço Lab, um grupo de pesquisa focado em demências.
Lourenço explica: “Sempre me interessei por coisas misteriosas, como por exemplo ‘como o cérebro funciona?’. Até hoje não tenho resposta concreta, mas isso continua sendo um grande objeto de interesse para mim”.
O pesquisador destaca a importância de entender a doença no contexto brasileiro, dada a crescente população idosa e a escassez de estudos nacionais sobre o tema.
Em paralelo, o Lourenço Lab também está conduzindo testes em animais com substâncias que possam prevenir o acúmulo de beta-amiloide e da proteína tau, associadas à formação das placas cerebrais características do Alzheimer.
Por outro lado, o Zimmer Lab, grupo de pesquisa liderado por Wagner Brum na UFRGS, desenvolveu protocolos para a implementação clínica de um exame de sangue capaz de diagnosticar o Alzheimer com base na presença da proteína p-tau217, um biomarcador chave da doença.
Embora o teste tenha demonstrado precisão em estudos, o trabalho de Brum foi fundamental para estabelecer padrões de leitura que possibilitassem sua adoção em diagnósticos de rotina. Ele ressalta que o diagnóstico precoce pode permitir um controle mais eficaz da doença antes que danos irreversíveis ocorram no cérebro.
Desafios e Perspectivas
A pesquisa com biomarcadores, conduzida por ambos os cientistas, visa não apenas facilitar o diagnóstico, mas também aprofundar o entendimento sobre as causas e efeitos da doença de Alzheimer. Tais avanços podem abrir caminho para tratamentos mais eficazes e potencialmente preventivos no futuro.
Com esforços contínuos e apoio de instituições de pesquisa, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Fundação Serrapilheira e Instituto Idor de Pesquisas, os pesquisadores brasileiros estão contribuindo significativamente para a luta global contra o Alzheimer, trazendo reconhecimento e visibilidade para a pesquisa de excelência realizada no país.








