A organização Global Footprint Network revelou que, em 2026, o planeta alcançou um marco significativo conhecido como “Dia da Sobrecarga da Terra” (Earth Overshoot Day).
A partir deste ponto, o consumo dos recursos naturais pela humanidade torna-se insustentável em relação à capacidade de regeneração do planeta.
Esse fato indica que a degradação dos recursos naturais e a liberação de poluentes na atmosfera ultrapassaram a capacidade ecológica da Terra, resultando em uma demanda que requer 1,73 planeta para se manter sustentável a longo prazo.
A Global Footprint Network aponta que os seres humanos têm utilizado recursos a uma taxa até 73% superior ao que os ecossistemas conseguem se regenerar. Essa medição é feita com base em dois conjuntos principais de dados: a biocapacidade do planeta (sua habilidade de produzir recursos e absorver resíduos) e a pegada ecológica da população humana (a velocidade com que esses recursos são consumidos).
No cálculo, são levados em consideração aspectos como a intensidade da produção agrícola, a expansão das áreas de pastagem, o uso de recursos hídricos (como na pesca) e florestais (como na extração de madeira), além da urbanização e da capacidade dos ecossistemas florestais em absorver as emissões geradas pelas atividades humanas.
As estatísticas utilizadas provêm de agências das Nações Unidas e instituições como o Global Carbon Project e a Agência Internacional de Energia (IEA).
A fórmula para calcular essa data é:
(Biocapacidade da Terra ÷ Pegada Ecológica da humanidade) × 365 dias.
A entidade salienta que desde o início do déficit ecológico global, no início dos anos 1970, a humanidade acumula um tipo de “dívida ecológica”; atualmente, esse montante já representa 20,6 anos da produtividade biológica anual do planeta.
No início da série histórica, em 1972, a sobrecarga ocorria apenas no último dia do ano. Contudo, ao longo das décadas seguintes, essa data foi se antecipando para novembro e depois para julho em 2026.
A antecipação desse marco é atribuída ao aumento na demanda global por alimentos, energia e matérias-primas, além da diminuição na capacidade dos ecossistemas para regenerar recursos naturais. Fatores como desmatamento, degradação do solo, perda de biodiversidade e mudanças climáticas agravam essa situação.
A Global Footprint Network indicou que cerca de 62% das emissões globais vêm da combustão de combustíveis fósseis.
Diferentemente das outras grandes economias mundiais, o Brasil exibe um “superávit ecológico”, possuindo a maior biocapacidade absoluta do planeta. Isso se deve principalmente à presença da Amazônia, Cerrado e Pantanal, além de sua vasta área agrícola e florestal.
Segundo a Global Footprint Network, caso toda a população global consumisse recursos naturais com o mesmo ritmo médio dos brasileiros, o Dia da Sobrecarga seria apenas em 14 de agosto, aproximadamente duas semanas após a data considerada mundialmente.
No ano de 2026, os países com maior consumo per capita incluem Catar, Luxemburgo, Singapura, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Pelo contrário, as nações com menor média de consumo são Bangladesh, Índia, Etiópia e Senegal, todas permanecendo abaixo da biocapacidade média global.








