5 estratégias da indústria alimentícia para te convencer a comprar alimentos de baixa qualidade

Cada vez mais a indústria alimentícia tem lançado produtos de qualidade duvidosa no mercado, ocupando grande parte das prateleiras dos supermercados. De acordo com um relatório do Ministério da Saúde publicado em outubro de 2025, 62% dos novos produtos alimentícios lançados no Brasil entre 2020 e 2024 foram classificados como ultraprocessados.

O aumento desses produtos na alimentação dos brasileiros é evidente: dados revelados pela Agência Brasil em novembro do ano passado mostraram que a presença de ultraprocessados na dieta dos brasileiros mais do que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23% das calorias consumidas.

Além disso, projeções do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) indicam que, em 2026, os ultraprocessados serão mais acessíveis financeiramente do que os alimentos saudáveis, agravando a desigualdade alimentar no país.

Para impulsionar as vendas, a indústria utiliza estratégias sofisticadas para disfarçar a baixa qualidade nutricional de seus produtos. Por isso, é importante ler atentamente os rótulos para evitar ser enganado e se alimentar de forma mais saudável.

Aqui estão cinco estratégias utilizadas para vender produtos de baixa qualidade para a saúde:

 

1 – Distorção da percepção do consumidor

 

Conhecido no marketing como efeito Halo, a indústria destaca termos como “rico em fibras”, “com 7 vitaminas”, “zero trans” ou “contém cereais integrais” na frente da embalagem para mascarar produtos com baixo teor nutritivo. Isso cria a falsa ideia de que o produto é saudável, desviando a atenção do excesso de açúcar, sódio ou aditivos químicos presentes na composição real.

 

2 – Aditivos cosméticos e superpalatáveis

Os produtos ultraprocessados são projetados para serem irresistíveis. A indústria utiliza corantes, aromatizantes e realçadores de sabor (como o glutamato monossódico) para imitar o gosto de alimentos reais que não estão presentes. Esses aditivos não só melhoram a aparência visual, mas criam um perfil de sabor extremamente estimulante que pode viciar o paladar e dificultar o consumo de alimentos naturais.

3 – Camuflagem de ingredientes

Nem sempre o açúcar é listado como “açúcar” nos ingredientes. A indústria utiliza diversos pseudônimos como maltodextrina, xarope de milho, açúcar invertido, dextrose ou extrato de malte. Ao dividir os tipos de açúcar, as empresas conseguem evitar que ele seja o primeiro item da lista (que é organizada por quantidade), dando a falsa impressão de que o produto não é tão doce.

 

4 – Embalagens naturais e rústicas

O design é uma ferramenta poderosa. O uso de cores terrosas, texturas que lembram papel kraft, ilustrações de fazendas ou imagens de frutas frescas dá a ideia de um produto artesanal ou diretamente da natureza.

É comum encontrar produtos que anunciam “suco de fruta natural” na embalagem, mas que na realidade contêm menos de 10% de polpa real, sendo a maior parte composta por água, açúcar e néctar artificial.

5 – Porções Irreais

Ao analisar a tabela nutricional, muitos consumidores focam nas calorias ou no sódio sem perceber que os dados se referem a uma porção mínima. É frequente ver pacotes de biscoitos ou salgadinhos que indicam os valores nutricionais para “3 unidades” ou “25g”, sabendo que o consumidor brasileiro tende a consumir o pacote inteiro de uma só vez. Isso mascara o verdadeiro impacto do produto na dieta diária.

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