O pão mais antigo do planeta é bem mais antigo do que se poderia pensar. Durante muitos anos, a pesquisa arqueológica indicava que o surgimento do pão coincidiu com o início da agricultura, há aproximadamente 9.000 anos. Contudo, uma nova descoberta no deserto da Jordânia revelou que essa prática remonta a pelo menos 14.400 anos.
Uma equipe de pesquisadores das universidades de Copenhagen, Cambridge e University College London identificou vestígios de um pão ázimo (sem fermento) que datam desse período remoto.
Os fragmentos carbonizados foram encontrados em Shubayqa 1, um local arqueológico associado à cultura Natufiana, um grupo de caçadores-coletores que habitava a região do Levante. A análise dessas migalhas antigas, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), demonstrou que o pão era elaborado com cereais silvestres, como trigo e cevada, além de tubérculos provenientes de uma espécie de junco aquático, todos moídos, peneirados e assados.
Esse achado representa um marco significativo para a antropologia. A Dra. Amaia Arranz-Otaegui, da Universidade de Copenhagen, afirma que a produção desse pão a partir de grãos silvestres demandava um esforço considerável. O empenho dos Natufianos em moer e cozinhar esses ingredientes sugere que o pão não era apenas uma fonte básica de alimento, mas possivelmente um item especial ou simbólico.
Além disso, o desejo por consumir esse alimento pode ter sido um fator determinante para motivar os humanos a iniciar o cultivo dos grãos ao invés de apenas coletá-los, contribuindo assim para a revolução agrícola durante o Período Neolítico.
A textura desse primeiro pão lembrava a de um pão sírio ou uma tortilha, apresentando uma consistência densa e um leve sabor salgado e terroso devido aos tubérculos. Esse achado indica que uma culinária complexa já existia antes do surgimento das civilizações urbanas, revelando que desde épocas primitivas o prazer de compartilhar refeições cuidadosamente preparadas fazia parte da experiência humana.
Pão Ázimo e sua Relação com a Religião
A presença do pão ázimo está registrada em várias passagens bíblicas. Um exemplo notável é na Última Ceia, quando Jesus partiu o pão e ofereceu aos apóstolos seguindo as tradições judaicas. Conhecido também como matzá, ele continua sendo consumido na Páscoa judaica até os dias atuais. Sua ausência de fermento simboliza para os judeus a pureza e isenção de corrupção ou pecado.
No livro do Êxodo há várias referências ao seu significado espiritual, especialmente quando Deus instrui Moisés sobre sua inclusão na refeição pascal junto ao cordeiro assado e às ervas amargas. A receita abaixo é extraída deste livro: “Com a melhor farinha de trigo, sem fermento, faça pães e bolos amassados com azeite; pães finos untados com azeite.” (Êxodo 29:2).
Ademais, esses pães não eram consumidos apenas durante a refeição pascal; deveriam ser ingeridos por sete dias seguidos durante a Festa dos Pães Asmos (Êxodo 23:15).
No livro de Deuteronômio, o pão ázimo é denominado “pão de aflição”, pois estudiosos acreditam que isso está relacionado à separação do povo escolhido por Deus das práticas pecaminosas do Egito.
O Primeiro Pão do Mundo
Ingredientes
- 2 xícaras de farinha de trigo integral
- 1/3 xícara de azeite de oliva
- 10g de sal (equivalente a 2 colheres de chá)
- 1/2 xícara de água morna (ajuste conforme necessário)
Método de Preparo
Em uma tigela grande, combine a farinha com o sal. Gradualmente adicione a água enquanto amassa com as mãos. Sove a massa em uma superfície enfarinhada ou dentro da tigela por cerca de seis minutos até obter uma consistência úmida e elástica que não grude nas mãos. Se necessário, acrescente mais farinha ou água aos poucos.
Após isso, deixe descansar por pelo menos 15 minutos. Separe a massa em quatro partes iguais, forme bolinhas e abra-as com um rolo polvilhando farinha para evitar que grudem.
Aqueça uma frigideira pesada em fogo alto e coloque o pão nela; cozinhe por aproximadamente cinco minutos de cada lado atentando para não queimar. O ideal é que o pão forme bolhas durante o processo.
Para conservar após o preparo, armazene em um saco plástico bem fechado para manter a umidade; no entanto, recomenda-se apreciá-lo imediatamente após fazer devido à sua rápida tendência em endurecer pela falta de fermento.








