Fruta ameaçada do Brasil promete combate ao envelhecimento das células

Uma fruta pouco familiar aos brasileiros, originária da Mata Atlântica, apresenta um elevado valor nutricional e é rica em antioxidantes naturais.

O cambuci, que possui um sabor e aroma marcantes, combina a acidez do limão com um toque suave de dulçor e um leve amargor. Esta fruta é abundantemente rica em vitamina C e se encontra nas regiões da Mata Atlântica nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Classificada como Campomanesia phaea, o cambuci pertence à família Myrtaceae, a mesma da jabuticaba, pitanga e goiaba.

Com uma forma achatada, seu nome deriva do tupi-guarani “kãmu-si”, que significa “fruta-pote”, devido à semelhança com os recipientes de argila usados por indígenas para armazenar água.

Pesquisas realizadas pela Embrapa revelam que o cambuci contém compostos fenólicos e antioxidantes naturais, além de níveis de ácido ascórbico comparáveis aos encontrados em frutas cítricas.

O nome da fruta também é compartilhado com o bairro Cambuci, um dos mais antigos de São Paulo; durante o período colonial, essa área era repleta de árvores dessa fruta, atualmente ameaçadas pela exploração excessiva da madeira.

Durante o século 20, a extração de madeira do cambucizeiro levou à diminuição da presença dessa espécie em seu habitat natural. Hoje, sua distribuição é limitada e concentra-se principalmente em remanescentes da Serra do Mar, que se estende por aproximadamente 1.500 km ao longo das costas leste e sul do Brasil, do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul.

Após a colheita, o cambuci deve ser consumido rapidamente: sua durabilidade é curta, cerca de três dias antes de começar a deteriorar-se. Essa característica dificulta sua comercialização em larga escala.

Apesar desse desafio logístico, a fruta tem ganhado espaço na gastronomia brasileira, sendo utilizada no preparo de sucos, geleias, sorvetes, molhos, bolos e até mesmo cachaças artesanais e licores. Sua versatilidade atrai a atenção da alta gastronomia, especialmente no estado paulista.

A Universidade de São Paulo (USP) tem realizado estudos que associam o cambuci a altos níveis de compostos bioativos antioxidantes e anti-inflamatórios como polifenóis e flavonoides. Esses elementos são importantes no combate aos radicais livres no corpo humano e contribuem para retardar o envelhecimento celular.

Tanto a casca quanto a polpa e as sementes do cambuci são comestíveis.

Embora o Brasil seja conhecido por sua rica biodiversidade alimentar, grande parte do consumo ainda se concentra em frutas industrializadas e amplamente conhecidas como maçã, banana e laranja.

No entanto, frutas nativas menos conhecidas como o cambuci, uvaia e araçá podem oferecer oportunidades valiosas para pequenos agricultores. Isso se deve à crescente demanda por frutas nativas e à importância da restauração dos corredores ecológicos dessas espécies.

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