A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revisou a situação dos produtos da marca Ypê, que haviam sido suspensos em 7 de maio deste ano. Essa suspensão abrange detergentes, desinfetantes e lava-roupas fabricados pela Química Amparo Ltda., com os lotes afetados terminando com o número 1.
Conforme as mais recentes orientações da agência, continua proibido o uso de detergentes e desinfetantes líquidos Ypê que tenham sido produzidos antes de 1º de março, assim como os lava-roupas líquidos feitos antes de 1º de abril.
Informações disponíveis no site da Anvisa indicam que a decisão foi baseada na apresentação, por parte da empresa, de laudos que atestam a conformidade para todos os lotes de detergentes e desinfetantes fabricados após 1º de março. No caso dos lava-roupas, apenas os produzidos a partir de 1º de abril estão autorizados para comercialização.
As novas diretrizes foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (15), através das resoluções (RE) 2.396/2026 e RE 2.397/2026. A primeira revoga a resolução anterior (RE 2.235/2026) para atualizar a situação da suspensão.
Entenda o contexto
A crise envolvendo a Ypê teve início em 7 de maio, quando a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, distribuição e venda dos produtos da empresa. Essa ação afetou o sabão líquido para roupas, detergentes e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, localizada em Amparo, São Paulo.
A decisão foi motivada por uma análise técnica do risco sanitário realizada pela agência. A Fórum destacou que as inspeções revelaram um cenário preocupante quanto ao risco sanitário elevado na unidade fabril da Ypê, evidenciando falhas significativas nas etapas do processo produtivo.
A Anvisa ressaltou que essas falhas comprometiam as Boas Práticas de Fabricação de produtos saneantes, representando um risco à segurança dos itens, com potencial para contaminação microbiológica por microrganismos nocivos.
A Ypê como tema político entre bolsonaristas
<pApós a decisão da Anvisa, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a interpretar o caso como uma suposta perseguição política contra a marca. A Fórum relatou que deputados e influenciadores próximos ao ex-presidente começaram a transformar os produtos da Ypê em um símbolo de resistência ao governo federal.
Numa das ocasiões, o deputado Sargento Fahur apareceu em um vídeo nas redes sociais utilizando detergente da marca. A Fórum também evidenciou como os produtos Ypê foram elevados à condição de uma espécie de “nova cloroquina” para a extrema direita, com bolsonaristas promovendo seu uso como uma questão política.








