Estudantes da USP ocupam reitoria em protesto e exigem renegociações

Na quinta-feira (7), alunos da Universidade de São Paulo (USP) que estão em greve realizaram uma ocupação no prédio da reitoria, formando um cordão humano para exigir novas negociações. Esta paralisação já se estende por três semanas e busca melhorias nas condições de permanência, infraestrutura da instituição e ampliação da assistência socioeconômica.

Os alunos alegam que a reitoria não tem respondido adequadamente às suas demandas, que foram compiladas em um documento criado durante uma assembleia geral pelos estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP). De acordo com eles, apenas algumas das solicitações foram atendidas, e as que foram discutidas não geraram mudanças significativas, como o aumento de apenas R$5,00 e R$27,00 nas categorias integral e parcial com moradia, respectivamente, do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil.

No momento, os valores dos auxílios variam entre aproximadamente R$330 para estudantes que residem na universidade e até R$885 mensais para auxílio integral, além da gratuidade nos restaurantes universitários. Os estudantes solicitam que o valor das bolsas seja elevado ao patamar de um salário mínimo estadual, atualmente fixado em R$1.804,00.

Além disso, os alunos pedem uma nova data para a mesa de negociação e afirmam que a reitoria não cumpriu o compromisso de realizar uma reunião nesta quinta-feira (7), conforme acordado em encontro realizado no dia 30 de abril. Isso levou à manifestação desta manhã.

“Após o anúncio da reitoria sobre o término das negociações, houve um grande clima de tensão em todos os campi da USP. Por isso, muitos alunos estão optando por passar a noite nos prédios ocupados como forma de demonstrar apoio à insatisfação da comunidade estudantil com as escassas negociações”, relata Marina Oliveira, representante do Diretório Central dos Estudantes da USP.

Marina destaca que desde cedo os alunos estão reunidos no local e mencionou que uma nova manifestação estava programada para às 14h em busca de aprovação da reitoria para iniciar novas negociações. “Com este ato de hoje, esperamos que pelo menos a reitoria mostre disposição para agendar uma nova data para conversar conosco, pois não podemos continuar vivendo com migalhas enquanto estudamos e contribuímos com pesquisas para o país”, finaliza a estudante.

Principais Demandas dos Estudantes

Dentre as principais reivindicações apresentadas pelos estudantes estão a melhoria na qualidade do Restaurante Universitário, após relatos sobre alimentos estragados e infestados; reformas na infraestrutura da universidade com a construção dos prédios previstos no projeto físico do campus; ampliação das políticas voltadas à permanência de mães na universidade; criação de salas destinadas a todos os Centros e Diretórios Acadêmicos da EACH; implementação de vestibular específico para indígenas e cotas para pessoas trans e com deficiência; além de questões relacionadas à segurança.

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