Governo Lula revela ambicioso projeto de investimento na defesa nacional com caças, submarinos nucleares e navios

O governo federal, por meio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027, apresentou ao Congresso um plano que prevê a alocação de R$ 10,2 bilhões para 16 iniciativas na área de Defesa nacional, financiadas pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

Dentre os projetos destacados estão as ações da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB). Entre elas está a compra dos novos caças Gripen, resultado de um contrato com a fabricante sueca Saab, além da construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.

Iniciativas da FAB

A aquisição dos caças Gripen, que integra o Projeto FX-2, é o que recebe a maior quantia individual no orçamento: R$ 2,891 bilhões serão investidos na compra das aeronaves de caça e nos sistemas complementares, incluindo armamentos e suporte logístico.

Além disso, o PLOA destina R$ 571,8 milhões ao Projeto KC-390, uma aeronave militar de múltiplas funções desenvolvida pela Embraer. Espera-se que mais um cargueiro seja entregue à FAB em 2027.

Para o Projeto KC-X, que abrange o desenvolvimento do cargueiro tático militar, há uma previsão de R$ 10,2 milhões. O documento indica que a execução desse projeto deverá ser concluída em sua totalidade até 2027.

A FAB também contará com R$ 337,6 milhões para modernizar o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Sisdabra), que inclui melhorias nos aviões A-29, conhecidos como Super Tucano da Embraer, utilizados em missões de ataque leve e formação avançada.

O orçamento ainda inclui R$ 11 milhões para o Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) e outros R$ 11 milhões destinados ao Projeto MICLA, que trata de mísseis de longo alcance.

Iniciativas do Exército

<spanPara o Exército Brasileiro, a maior parte dos recursos será direcionada ao Projeto Forças Blindadas. O PLOA reserva R$ 1,02 bilhão para este programa.

A proposta contempla a entrega de 116 viaturas até 2027 com o intuito de renovar uma parte da frota e aumentar as capacidades operacionais da Força Terrestre. Este projeto está ligado à recuperação e fortalecimento da capacidade industrial do Brasil para produzir e manter veículos militares.

Outro importante programa é o Sistema ASTROS-FOGOS, que receberá um investimento de R$ 671,4 milhões. Esses recursos visam a implementação do sistema estratégico e incluem tanto o desenvolvimento quanto a aquisição dos meios necessários para o uso de foguetes e mísseis.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) terá um aporte de R$ 467 milhões. Este programa utiliza tecnologia avançada em sensores e comunicação para aumentar a vigilância na fronteira terrestre brasileira.

Adicionalmente, estão previstos R$ 520 milhões para desenvolver o Sistema de Aviação do Exército e Drones. Esse valor servirá para aprimorar a capacidade aérea e implementar sistemas não tripulados.

Iniciativas da Marinha

No setor naval, destaca-se o Programa Nuclear da Força. O PLOA destina R$ 1,429 bilhão ao desenvolvimento de sistemas tecnológicos nucleares com o objetivo de capacitar o país em propulsão nuclear naval. Isso inclui iniciativas como o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), além do ciclo do combustível e a construção da planta nuclear embarcada.

Só para a construção do Submarino com Propulsão Nuclear foram alocados R$ 388,8 milhões em 2027. Este programa se tornou um dos mais prioritários no âmbito das iniciativas estratégicas no setor defensivo brasileiro. Embora inicialmente previsto para ser entregue em 2029, atrasos nos repasses anuais levaram essa data para 2037.

  • Leia também: Submarino nuclear brasileiro: pedido urgente da Marinha para assegurar projeto estratégico – Revista Fórum

Anualmente têm sido investidos cerca de R$ 2 bilhões no programa; no entanto, estudos recentes indicam que seriam necessários aproximadamente R$ 3 bilhões por ano para manter o cronograma original.

A construção desse submarino também depende do desenvolvimento de infraestrutura específica em Itaguaí, no Rio de Janeiro. Isso envolve estabelecer um estaleiro e uma base naval dedicados à construção e manutenção da embarcação. O complexo irá atender tanto ao programa nuclear quanto ao programa convencional de submarinos com previsão oficial de execução física chegando a 83% até 2027.

A Marinha ainda planeja investir R$ 900 milhões nas Fragatas Tamandaré; espera-se que a primeira unidade esteja pronta até 2027, enquanto outras três estão em fase de construção.

Além disso, estão reservados R$ 115 milhões para construir Navios-Patrulha pesando 500 toneladas destinados ao patrulhamento das águas sob jurisdição brasileira.

Por fim, os helicópteros leves destinados à instrução aérea básica no Programa TH-X receberão um investimento total de R$ 413 milhões em 2027; desses oito helicópteros adquiridos quatro serão destinados à Marinha e quatro à Aeronáutica.

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