Greve de 24 horas mobiliza bancários em reação às propostas da Fenaban

Nesta quinta-feira (20), bancários de diversas regiões do Brasil estão participando de uma greve nacional com duração de 24 horas. Essa decisão foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira (17) pelo Comando Nacional dos Bancários. O movimento acontece no contexto das negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, onde a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou uma proposta de reajuste salarial que atenda às expectativas da categoria, apesar de ter assumido esse compromisso anteriormente. O protesto impacta o atendimento presencial nas agências bancárias, enquanto os serviços digitais e os caixas eletrônicos continuam operando normalmente.

Greve nacional dos bancários

A escolha pela paralisação foi ratificada nas assembleias ocorridas na segunda-feira (17) e endossada pelo Comando Nacional dos Bancários. A mobilização ocorre em todo o país, afetando o atendimento em agências de instituições financeiras tanto públicas quanto privadas. O fechamento das agências não é automático; a participação dos trabalhadores em cada local é que determinará a adesão ao movimento. Aqueles que trabalham em home office foram instruídos a não acessar os sistemas das instituições nem registrar ponto durante a greve.

Na cidade de Salvador, a mobilização inclui um piquete em frente à agência do Banco do Brasil localizada na Avenida Estados Unidos. Em São Paulo, cerca de 90% dos votos nas assembleias apoiaram a greve. No Rio de Janeiro, entre os 1.808 votantes, 1.760 rejeitaram a proposta da Fenaban e 1.709 manifestaram apoio à paralisação. A decisão também obteve respaldo em Brasília, onde 95% dos votos foram favoráveis em uma assembleia virtual, além de Minas Gerais e Bahia, onde o sindicato local declarou que a proposta apresentada pelos bancos “não é aceitável”.

Demandas e impasse nas negociações com a Fenaban

A greve se insere dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. As reivindicações foram apresentadas à Fenaban em 24 de junho, com as negociações iniciando em 2 de julho. Conforme o Comando Nacional dos Bancários, até o dia anterior à paralisação, as instituições financeiras ainda não haviam oferecido um índice para reajuste salarial ou outras verbas, mesmo após terem se comprometido durante as discussões anteriores.

A categoria reivindica um aumento de 5% acima da inflação nos salários e demais verbas, elevação do piso salarial, valorização dos vales-refeição e alimentação, aprimoramento na participação nos lucros e resultados (PLR), condições dignas de trabalho, combate às metas abusivas e ao assédio moral, além de medidas voltadas à saúde dos trabalhadores. A proposta inicial da Fenaban sugeria reajustes escalonados por faixas salariais e congelamento do piso inicial, sendo prontamente rejeitada por 97% dos cerca de 50 mil bancários que participaram das assembleias. Após a decisão pela paralisação, a Fenaban recuou nos dois pontos mais criticados, mas mesmo assim a categoria decidiu manter o movimento.

Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, destacou a contradição entre as ações da patronal e os lucros obtidos pelos bancos: segundo ela, as instituições financeiras registraram ganhos superiores a R$ 124 bilhões em 2025. Por outro lado, tanto a Fenaban quanto a Febraban afirmam que as negociações seguem conforme o cronograma estabelecido e esperam “chegar a um entendimento satisfatório para ambas as partes”. A data-base da categoria está fixada para o dia 1º de setembro.

Efeitos da greve e próximos passos

O principal impacto da paralisação é sentido no atendimento físico nas agências bancárias. Os serviços digitais como Pix, transferências via aplicativos e internet banking permanecem ativos normalmente, assim como os caixas eletrônicos. Não há alteração nos prazos para pagamento de contas ou recebimento de salários devido à greve. Os sindicatos orientam os correntistas a resolver questões pendentes através dos canais digitais das instituições.

A mobilização desta quinta é vista pela categoria como uma forma de pressão para obter resultados nas negociações, não como um desfecho final. O Comando Nacional dos Bancários reafirmou que novas ações podem ser programadas caso não haja avanços significativos nas propostas apresentadas pelos bancos. De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, as discussões com a Fenaban devem ser retomadas na próxima segunda-feira (24).

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