Pastor hondurenho, próximo a Trump, declara Flávio Bolsonaro como “presidente do Brasil” em cerimônia de unção

O que se iniciou como uma simples oração por um político se transformou em uma declaração impactante sobre o futuro da política brasileira. Guillermo Maldonado, pastor de origem hondurenha e líder do Ministério Internacional El Rey Jesús, anunciou a unção do senador Flávio Bolsonaro como “o próximo presidente do Brasil”. O evento, realizado no último dia 11, contou com a presença dos apóstolos Estevam Hernandes e Sonia Hernandes, representantes da Igreja Renascer em Cristo.

Maldonado esclareceu que não se tratava de uma oração comum. Em suas redes sociais, ele destacou que havia sido enviado por Deus ao Brasil para cumprir uma missão: “estabelecer Sua vontade, trazer Seu Reino” e abençoar a vida do senador. Ele afirmou que Flávio Bolsonaro recebeu a unção necessária para que a vontade divina fosse manifestada em sua trajetória política, visando sua futura presidência.

A escolha das palavras pelo pastor não é aleatória. Ao fazer uma analogia entre sua ação e a unção dos reis no Antigo Testamento, Maldonado insere uma lógica própria das monarquias bíblicas na democracia atual. Na narrativa bíblica, figuras como Saul e Davi foram ungidos por Deus em contextos em que o poder político estava intimamente ligado à religião.

Entretanto, o Brasil de 2026 não se assemelha ao antigo Israel. Não estamos sob um regime monárquico sagrado ou teocrático. Nenhum líder religioso possui a autoridade para decidir quem deve ser o presidente da República. Em um sistema democrático, os governantes são escolhidos através do voto popular e de acordo com as normas constitucionais. A legitimidade de um presidente provém do respaldo das urnas, não de cerimônias religiosas.

O pastor e teólogo Zé Barbosa Junior afirma que “a questão não reside em um pastor orar por políticos; isso é perfeitamente aceitável. No entanto, o problema surge quando essa oração é elevada à condição de uma declaração de escolha divina.”

Além disso, há um aspecto teológico relevante nesse discurso. Tentar aplicar a unção dos reis de Israel à política contemporânea brasileira ignora as diferenças significativas entre os contextos históricos. Reis como Saul e Davi pertencem a uma tradição política e religiosa específica, enquanto o Brasil moderno é caracterizado como uma República democrática e constitucional.

A presença dos líderes religiosos Estevam e Sonia Hernandes ao lado de Maldonado e Flávio Bolsonaro evidencia a rede de relações entre figuras religiosas e setores políticos conservadores. A história da América Latina ilustra os perigos da combinação entre religião e poder.

Quem é Guillermo Maldonado?

A trajetória do pastor hondurenho explica por que sua declaração sobre Flávio Bolsonaro gerou tanto interesse; ele estabeleceu uma carreira internacional marcada pela intersecção entre religião e liderança política, além da chamada “guerra espiritual”. Seu Ministério Internacional El Rey Jesús, localizado em Miami, tornou-se referência no evangelicalismo hispânico nos Estados Unidos.

Ele também esteve associado a Donald Trump. Em janeiro de 2020, sua igreja serviu como anfitriã para um evento da coalizão “Evangelicals for Trump”, onde líderes religiosos rezaram pelo então presidente americano. Registros da época destacam a participação ativa de Maldonado em apoio ao político republicano.

Dessa forma, a ideia de apresentar um político como alguém escolhido ou ungido para liderar o país não é nova com Flávio Bolsonaro; ela está inserida em uma narrativa religiosa e política que Maldonado já utilizou anteriormente.

No mês de julho de 2025, ele voltou ao centro das atenções ao participar da inauguração do imponente templo Portal del Cielo em Chaco, Argentina. Como principal orador do evento, dividiu o palco com o presidente argentino Javier Milei em uma cerimônia que misturou discursos religiosos com manifestações políticas e teve cobrança de ingressos.

Assista ao vídeo da “unção”:

https://www.instagram.com/reels/DcOY9HfOn5y/

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