O impacto oculto que drena bilhões do PIB brasileiro anualmente

As chuvas torrenciais e períodos de seca já estão causando um impacto significativo na economia brasileira, resultando em perdas anuais que giram em torno de R$ 110 bilhões do PIB. Além disso, esses fenômenos naturais desencadeiam mortes e problemas sociais, e a previsão é que esses custos aumentem. Mesmo assim, as despesas com iniciativas voltadas para o clima correspondem a apenas 1% do orçamento federal no período de 2019 a 2024.

Essa análise foi realizada pelo Centro Internacional Celso Furtado (CICEF), com a colaboração do Instituto Clima e Sociedade (iCS). Os estudos revelam que, se o aquecimento global atingir a marca de 2°C — conforme estipulado no Acordo de Paris — o Brasil poderá enfrentar uma perda de até R$ 145 bilhões anualmente em seu PIB. Veja mais detalhes:

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Os municípios que enfrentam secas severas observam uma diminuição média de 2% tanto no PIB quanto na arrecadação de impostos sobre produtos, com repercussões que podem durar até cinco anos após o evento. No setor agropecuário, os prejuízos no valor agregado superam 7,5% nos dois primeiros anos e continuam em torno de 5% nos anos seguintes. Por outro lado, os setores industrial e de serviços enfrentam quedas médias anuais de 1,5% e 2,5%, respectivamente, entre o ano da calamidade e os cinco anos subsequentes.

Nas localidades afetadas por chuvas intensas, a queda média do PIB registrado é de 1% no ano do evento. A agropecuária novamente sofre as maiores perdas, com uma redução anual de 3% no valor agregado. Os impactos sociais também são alarmantes: o número de feridos e doentes aumenta em 126%, enquanto as pessoas desalojadas crescem 66%, e os danos materiais saltam para um impressionante aumento de 440%.

Os dados também mostram que o Brasil adota uma abordagem reativa em relação à adaptação climática, sem implementar ações preventivas adequadas. Além disso, há uma desconexão entre o planejamento governamental e as políticas ambientais: mesmo com esforços para estabelecer um “orçamento verde” alinhado aos objetivos do Acordo de Paris, uma parte significativa das renúncias fiscais ainda beneficia práticas prejudiciais ao clima, como os subsídios aos combustíveis fósseis.

“Os gastos que impactam negativamente o clima superam os positivos. Todos os esforços voltados para questões climáticas podem estar sendo neutralizados pelos incentivos fiscais prejudiciais”, observa Camila Freitas, doutora em políticas públicas e membro do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (GEMA) da UFRJ, que conduziu os estudos.

Além das perdas financeiras significativas, as secas provocam um aumento de 89% no número de feridos e doentes ligados a desastres relacionados ao clima. Apesar da recuperação mais rápida em algumas áreas, os danos humanos e materiais permanecem elevados: há um crescimento de 126% nos feridos e doentes, um aumento de 66% nas pessoas desalojadas e os prejuízos materiais alcançam uma elevação impressionante de 440%.

O relatório enfatiza ainda que os efeitos das mudanças climáticas não são homogêneos pelo Brasil. Regiões como Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste tendem a sofrer com secas mais frequentes, enquanto o Sul e partes do Norte devem enfrentar um aumento nas chuvas intensas e eventos extremos.

De acordo com os pesquisadores, os impactos econômicos e sociais decorrentes das mudanças climáticas já estão ocorrendo e não se restringem apenas a cenários futuros. A expectativa é que as perdas se intensifiquem caso não sejam implementadas políticas eficazes para mitigação e adaptação.

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