País investe R$ 18 milhões em tecnologia inovadora para impulsionar a descarbonização da energia

O Brasil acaba de receber seu primeiro reator de alta tensão que utiliza óleo vegetal, um marco para a América Latina. Este insumo biodegradável é considerado crucial para os projetos de descarbonização no setor elétrico.

Com um aporte financeiro aproximado de R$ 18 milhões, o reator integra as iniciativas de modernização da ISA Energia Brasil, que é responsável por cerca de 30% da transmissão de energia na rede elétrica nacional.

A instalação ocorreu na Subestação Bauru, localizada no interior paulista, e permitirá a transição do óleo mineral, proveniente do petróleo, para um fluido renovável.

O projeto conta com quatro unidades de alta potência, as maiores já fornecidas globalmente pela Hitachi Energy para essa aplicação específica. No total, essas unidades utilizam cerca de 58,8 mil litros de óleo vegetal.

Apesar de não ser amplamente conhecido fora do setor elétrico, os reatores de alta tensão desempenham um papel fundamental na manutenção da estabilidade do sistema de transmissão, sendo responsáveis pelo controle das variações de tensão nas linhas e pela diminuição das perdas energéticas.

Em redes extensas como a brasileira, onde as linhas de transmissão são longas e frequentemente expostas, esses reatores garantem a continuidade do equilíbrio operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A relevância desses equipamentos é particularmente notável no fornecimento de energia para hidrelétricas, parques eólicos e grandes áreas urbanas.

Conforme informações da ISA Energia, o novo fluido isolante apresenta uma taxa de biodegradabilidade impressionante de 99% em aproximadamente dez dias, o que diminui substancialmente os impactos ambientais em caso de vazamentos.

Outro ponto positivo é que o óleo vegetal possui um ponto de fulgor significativamente mais alto em comparação ao óleo mineral convencional, reduzindo assim os riscos associados a combustões e incêndios em subestações elétricas, problemas que se agravam em instalações com alta potência.

A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta que será necessário adicionar ou modernizar cerca de 80 milhões de quilômetros em redes elétricas até 2040 para atender à crescente demanda por eletrificação em todo o mundo.

No Brasil, as empresas responsáveis pela transmissão têm investido cada vez mais em tecnologias que visam diminuir as emissões operacionais enquanto aumentam a eficiência energética.

A expansão das usinas solares e eólicas no país é um avanço significativo; no entanto, ainda enfrenta os desafios estruturais decorrentes das redes deficientes. Estima-se que até 20% da energia renovável gerada em usinas solares e eólicas seja desperdiçada, resultando em perdas financeiras na ordem de R$ 6,5 bilhões.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o crescimento da geração renovável exige sistemas mais flexíveis e inteligentes para evitar ineficiências e instabilidades.

Para 2025, a ISA Energia planeja investir R$ 150 milhões no desenvolvimento do primeiro sistema brasileiro destinado ao armazenamento em larga escala de energia. Esse sistema utilizará grandes baterias para armazenar eletricidade produzida durante períodos de baixa demanda e redistribuí-la quando houver aumento no consumo ou instabilidades nas fontes renováveis.

A empresa tem como meta reduzir suas emissões em 60% até 2040 e em até 90% até 2050, tomando como referência os níveis registrados em 2022.

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