A SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico), uma empresa brasileira com sede em São José dos Campos (SP) e focada em tecnologias de defesa, anunciou a finalização do primeiro lote do míssil MAX 1.2 AC, que será entregue ao Exército Brasileiro.
Esse lote foi produzido em série na nova fábrica da empresa localizada em Caçapava, interior paulista, e representa um avanço significativo para a Base Industrial de Defesa (BID) no Brasil.
O Brasil alcança um marco histórico ao produzir, em escala industrial, um míssil anticarro guiado com tecnologia nacional, que pode ser integrado a outras cadeias produtivas de componentes também fabricados localmente.
A unidade inaugurada em Caçapava teve como objetivo aumentar a capacidade produtiva da SIATT e atender à demanda do mercado internacional, sendo responsável pela fabricação dos motores dos mísseis e pela montagem final dos sistemas.
Com a conclusão deste lote, a empresa indica uma mudança de fase, passando de uma produção experimental para uma estrutura industrial capaz de fornecer continuamente.
“O desenvolvimento do MAX é resultado de longos anos de pesquisa tecnológica nacional”, declarou Rogerio Salvador, presidente da SIATT, durante a cerimônia de entrega.
O míssil MAX 1.2 AC, anteriormente conhecido como MSS 1.2 AC, utiliza tecnologia de guiagem a laser para operar.
Seu design visa minimizar as vulnerabilidades do Exército frente a possíveis interferências eletrônicas durante o trajeto dos mísseis e aprimorar a precisão do armamento.
Com um alcance superior a dois quilômetros, o projeto foi realizado em colaboração com o Exército Brasileiro ao longo de vários anos e contou com pesquisas do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) e do Centro Tecnológico do Exército (CTEx).
Especialistas apontam que o MAX representa uma estratégia brasileira para diminuir a dependência externa em sistemas armamentares guiados, um setor historicamente dominado por fabricantes americanos, israelenses e russos.
Anteriormente, o país utilizava o MSS 1.2, produzido pela antiga Orbital Engenharia. A SIATT assumiu o programa e acelerou sua modernização tanto industrial quanto tecnológica.
Em 2025, o Exército Brasileiro oficializou a incorporação desse sistema como parte do armamento da Força Terrestre. Este novo estágio do programa ocorre em um cenário marcado pelo aumento dos investimentos internacionais em tecnologias de defesa e armamentos inteligentes.
Conforme informações do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), os gastos globais com armamentos ultrapassaram US$ 2,4 trilhões recentemente, impulsionados por conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, além da crescente rivalidade entre Estados Unidos e China e pela rápida modernização das forças armadas em várias regiões.
Mísseis guiados são considerados um dos segmentos mais estratégicos na indústria militar contemporânea. Seu uso tático ficou evidente na guerra na Ucrânia, onde sistemas anticarro demonstraram eficácia ao destruir veículos blindados à distância com alta precisão e custo relativamente baixo.
O Exército Brasileiro está ampliando sua doutrina sobre armas guiadas, drones e sistemas autônomos: além do MAX, o país também utiliza sistemas importados como o Spike LR2 proveniente de Israel.
A criação de um sistema nacional é especialmente significativa pois diminui a dependência tecnológica e as restrições nas exportações impostas por outros países.
Abaixo estão algumas leituras recomendadas:
- Brasil se torna potência no setor de defesa e receitas de exportações militares disparam – Revista Fórum
- O plano do governo Lula para transformar o Brasil em potência mundial de Defesa – Revista Fórum
A SIATT destaca que seu programa abrange engenharia, integração eletrônica, sistemas embarcados e guiagem, além de grande parte da cadeia produtiva instalada no Brasil. Isso inclui motores-foguete fabricados na nova instalação paulista.
No momento, a empresa faz parte do grupo EDGE, um conglomerado dos Emirados Árabes Unidos que tem investido pesadamente na indústria bélica brasileira nos últimos anos.
A Base Industrial de Defesa brasileira conta atualmente com centenas de empresas dedicadas ao desenvolvimento de sistemas embarcados, radares, aeronaves, satélites, criptografia para guerra eletrônica, mísseis e veículos blindados.
A Avibras Indústria Aeroespacial, uma das maiores companhias do setor no Brasil, também voltou às suas atividades recentemente com um novo plano econômico que inclui a retomada da produção do míssil tático MTC-300 para o Exército Brasileiro.
- Leia também: Gigante de defesa do Brasil retoma atividades após anos em crise – Revista Fórum








