12 estados dos EUA tentam barrar expansão de data centers

O avanço acelerado da inteligência artificial está gerando um efeito colateral cada vez mais visível: o alto custo ambiental e social da infraestrutura necessária para sustentar essa tecnologia. Nos Estados Unidos, a expansão de data centers — essenciais para o funcionamento de sistemas de IA — já provoca reação de governos locais e da população, diante do consumo massivo de recursos naturais, especialmente água e energia.

Pelo menos 12 estados norte-americanos discutem medidas para frear ou limitar a construção dessas estruturas, em meio a preocupações crescentes com o impacto sobre serviços básicos e o custo de vida. A pressão não vem apenas de autoridades, mas também de comunidades que convivem diretamente com essas instalações, consideradas altamente intensivas em recursos.

O principal ponto de tensão está no consumo de água e na preocupação com os empregos. Data centers utilizam grandes volumes para resfriar servidores, fundamentais para o processamento de dados e treinamento de modelos de IA. Em larga escala, esse consumo já atinge volumes bilionários, enquanto, em nível local, uma única instalação pode demandar milhões de litros por dia — pressionando sistemas públicos e acirrando disputas por recursos hídricos.

Embora invisível para o usuário final, a infraestrutura que sustenta essas tecnologias impacta diretamente comunidades, elevando tarifas de energia, pressionando reservas de água e ampliando desigualdades.

Diante desse contexto, legisladores estaduais passaram a agir. Um levantamento da Reuters mostra que diferentes estados adotam estratégias variadas para conter ou ao menos avaliar os impactos da expansão dos data centers. Na Geórgia, um projeto de lei propõe a proibição de novas licenças de construção até março de 2027. Em Maryland, novas obras podem ser condicionadas à adoção de sistemas próprios de geração de energia, incluindo fontes como nuclear ou gás natural. Já em Michigan, discute-se a suspensão temporária de incentivos fiscais ao setor.

Outros estados adotam medidas ainda mais restritivas. Em New Hampshire, há uma proposta de proibição total por um ano para estudos ambientais, enquanto Minnesota pretende impedir novas licenças até a entrega de um relatório detalhado sobre os impactos do setor. Em Nova York, a discussão envolve uma moratória acompanhada da exigência de mecanismos que impeçam o repasse dos custos energéticos para os consumidores residenciais.

Há também iniciativas com foco direto nos recursos naturais e na infraestrutura local. Oklahoma propõe suspender construções até 2029 para avaliar impactos no abastecimento de água, nas tarifas de serviços públicos e até no mercado imobiliário. Na Carolina do Sul, a ideia é barrar novas licenças e incentivos até 2028, enquanto Dakota do Sul discute uma moratória voltada especificamente para centros de dados de grande escala. Vermont, por sua vez, considera uma suspensão mais longa, até 2030, para estruturar uma regulação mais robusta.

Em estados como Virgínia e Wisconsin, o debate se concentra na relação entre os data centers e os custos repassados à população. No primeiro, projetos buscam limitar mudanças de zoneamento até que sejam garantidas condições adequadas de conexão à rede elétrica. No segundo, propostas tentam impedir que despesas com água e energia sejam transferidas para os consumidores finais.

As propostas variam em escopo, mas convergem em um ponto central: a necessidade de maior controle sobre uma indústria que cresce rapidamente e consome recursos em escala industrial. Muitas dessas iniciativas também refletem preocupações com a transparência, especialmente sobre quem arca, de fato, com os custos da infraestrutura digital.

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