Cidade nordestina se destaca como a única produtora de vinhos tropicais no planeta

Os vinhos tropicais rompem com o conceito clássico de vitivinicultura, sendo elaborados em locais que apresentam altas temperaturas e chuvas intensas. Petrolina, situada no interior de Pernambuco, é a pioneira nesse segmento. Localizada às margens do majestoso Rio São Francisco, a cidade brilha sob um sol intenso durante praticamente todo o ano e se firmou como um centro de cultura, desenvolvimento e lazer. Isso atrai turistas em busca de uma experiência que mescla a rusticidade do sertão à elegância de um oásis cuidadosamente planejado. Junto a Juazeiro, na Bahia, Petrolina compõe o núcleo do Vale do São Francisco, a única área no mundo que produz vinhos em clima tropical.

A orla da cidade, com seu calçadão convidativo e a brisa refrescante vinda do “Velho Chico”, revela a essência local. A culinária é autêntica e tem como estrela o bode assado, prato icônico da região que se tornou uma iguaria renomada, especialmente no famoso “Bodódromo”. Neste local, os visitantes podem apreciar o bode preparado de diversas maneiras, acompanhado por acompanhamentos tradicionais como feijão de corda, macaxeira cozida e pirão. Entretanto, a gastronomia em Petrolina é inclusiva; peixes de água doce como tilápia e surubim também são oferecidos com toques refinados nos restaurantes à beira do rio, proporcionando almoços com vistas deslumbrantes das águas que sustentam a região.

Além da rica culinária, Petrolina oferece passeios que combinam história e arte. A imponente Catedral Sagrado Coração de Jesus, com sua arquitetura neogótica e vitrais franceses, se destaca no centro da cidade. Já a Oficina do Artesão Mestre Quincas mantém viva a tradição das carrancas — figuras místicas esculpidas em madeira que, segundo as lendas locais, protegem os navegantes.

Entre ilhas de águas límpidas como a Ilha do Fogo e uma infraestrutura urbana admirável para muitas capitais brasileiras, Petrolina demonstra que o sertão pode ser um destino repleto de riqueza e sofisticação quando alimentado pelo Rio São Francisco e pela criatividade dos seus habitantes.

A Alquimia do Sol

A história da vitivinicultura na região remonta à década de 1960 com iniciativas de irrigação promovidas pelo Governo Federal. Contudo, foi na década seguinte que a produção de vinhos finos ganhou impulso considerável. Segundo informações da Embrapa Semiárido, a utilização das águas do Rio São Francisco em conjunto com alta luminosidade e controle tecnológico da irrigação possibilitou uma raridade global: a colheita de até duas safras e meia por ano.

Para as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), essa atividade trouxe uma transformação econômica significativa. Dados do Instituto de Desenvolvimento Institucional e Social de Pernambuco (Idepiesp) revelam que o setor de fruticultura irrigada gera milhares de empregos diretos e indiretos, promovendo a qualificação técnica dos trabalhadores rurais. O vinho alterou o conceito de “Sertão” para “Vale”, introduzindo o enoturismo na região, que atualmente atrai aproximadamente 60 mil visitantes anualmente (segundo estimativas da ViniBrasil e órgãos turísticos locais).

Os turistas podem visitar renomadas vinícolas e fazendas onde os passeios iniciam nas parreiras repletas das variedades Syrah e Moscatel. Os visitantes têm a oportunidade de conhecer os tanques onde ocorre a fermentação até chegarem às degustações guiadas. Um dos destaques é o Vapor do Vinho — uma embarcação que navega pelo Lago de Sobradinho oferecendo música ao vivo, banhos nas águas do rio e a chance de degustar rótulos locais enquanto admiram o pôr do sol vibrante característico da caatinga.

No ano passado, 2022, a região recebeu Indicação de Procedência (IP) concedida pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), reconhecendo que as características geográficas e as técnicas utilizadas conferem particularidades exclusivas ao produto. Isso coloca essa área em pé de igualdade legal com regiões reconhecidas como o Vale dos Vinhedos (RS), que obteve sua primeira Indicação Geográfica no Brasil em 2002.

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