Durante as temporadas quentes, a atenção à conservação de alimentos perecíveis, como aves, ovos e produtos lácteos, deve ser intensificada para evitar a rápida multiplicação de bactérias, incluindo Salmonella e Staphylococcus aureus, assim como para prevenir intoxicações alimentares. A segurança alimentar e a redução do desperdício começam muito antes da preparação das refeições.
A Anvisa orienta que a lista de compras seja organizada para que os itens perecíveis (como os congelados e refrigerados) sejam adquiridos por último, logo antes do pagamento. Isso assegura que o transporte dos produtos do supermercado até a residência ocorra de maneira ágil.
Em dias quentes, é recomendável o uso de bolsas térmicas ou caixas isolantes. Essas ferramentas ajudam a manter a temperatura adequada dos alimentos, evitando que estraguem ou azedem antes de serem armazenados na geladeira, o que pode resultar em perdas financeiras.
Após chegar em casa, é fundamental continuar monitorando a temperatura. O departamento de qualidade da Tijuca Alimentos ressalta a importância de minimizar o tempo em que as proteínas ficam fora da geladeira durante o manuseio.
Para garantir uma boa organização na geladeira e otimizar o espaço disponível, além de economizar energia e evitar deterioração por refrigeração inadequada, a Anvisa sugere os seguintes cuidados:
- Os alimentos prontos para consumo, sobras do dia anterior e laticínios devem ser armazenados nas prateleiras superiores, onde a temperatura é mais estável;
- As carnes cruas (aves, bovinos e suínos) devem ser colocadas nas prateleiras intermediárias e inferiores em recipientes fechados para evitar que líquidos escorram sobre outros produtos;
- Na gaveta inferior devem ser guardados frutas e vegetais previamente higienizados e secos para aumentar sua durabilidade.
Mitos sobre resfriamento e combate ao desperdício de alimentos prontos
A nutricionista Joelia Silva da Tijuca Alimentos destaca que a multiplicação de microrganismos se intensifica durante as altas temperaturas. Ela alerta ainda sobre um conceito errôneo: “Não é necessário esperar que a comida esfrie completamente no fogão antes de armazená-la”.
Conforme o manual de boas práticas da Anvisa, deixar panelas com alimentos cozidos à temperatura ambiente por longos períodos favorece a chamada zona de perigo térmico (entre 5°C e 60°C), ideal para a proliferação bacteriana. A recomendação é transferir os alimentos preparados para a geladeira em até duas horas após o cozimento ou em uma hora se estiver muito calor.
Dicas para evitar desperdícios e economizar gás/energia
Porcionamento em recipientes rasos – Separe as sobras em potes menores e rasos. Essa prática acelera o resfriamento uniforme no interior da geladeira, previne que o centro dos alimentos azede e facilita o descongelamento apenas da quantidade necessária para as próximas refeições, reduzindo assim o descarte.
Descongelamento adequado – É importante ter atenção redobrada durante o processo térmico caseiro. Flutuações inadequadas podem comprometer a saúde e estragar cortes inteiros de carne. Os consumidores devem seguir métodos corretos tanto ao congelar quanto ao descongelar alimentos, evitando expor produtos crus à temperatura ambiente.
A Anvisa recomenda transferir os alimentos do congelador para a parte inferior da geladeira (resfriador) com antecedência entre 12 a 24 horas. Embora exija planejamento prévio, essa prática ajuda a preservar textura e sabor dos alimentos, mantendo seus nutrientes intactos enquanto inibe o crescimento bacteriano.
Como descongelar rapidamente sem comprometer qualidade – Se houver necessidade urgente de descongelar um alimento para evitar recorrer às refeições prontas caras, utilize a função apropriada do micro-ondas e cozinhe-o imediatamente depois disso.
Cuidado ao reutilizar: Alimentos totalmente descongelados na geladeira podem ser cozidos novamente e congelados. Contudo, nunca recongele carnes cruas que tenham sido deixadas à temperatura ambiente após descongelamento, pois isso pode comprometer gravemente sua segurança sanitária.
“Em dias quentes, as bactérias nos alimentos se multiplicam rapidamente; portanto, é crucial limitar ao máximo o tempo que produtos crus ficam fora da refrigeração”, enfatiza Joelia Silva. Seguir essas práticas simples recomendadas pelos órgãos de vigilância sanitária não só garante maior durabilidade e sabor dos produtos à mesa como também protege a saúde dos consumidores, favorece economia nas despesas familiares e contribui para um combate eficaz ao desperdício alimentar.








