Áudio guardado por décadas revela mistério do canto das baleias-jubarte no ano de 1949

Um áudio gravado em 1949 nas águas do Atlântico, próximo às Bermudas, pode ser um dos registros mais antigos preservados do canto de uma baleia-jubarte. O material foi identificado por pesquisadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI), nos Estados Unidos, durante um processo de digitalização de arquivos científicos históricos.

Na época da gravação, os cientistas não tinham certeza sobre a origem dos sons captados. O estudo das vocalizações de baleias ainda estava em estágio inicial, e o registro acabou arquivado sem identificação precisa.

Somente décadas depois, com análises mais recentes, os pesquisadores concluíram que os sons pertencem à espécie Megaptera novaeangliae, conhecida por seus cantos complexos usados na comunicação.

Um disco raro do oceano

O áudio foi captado durante uma expedição científica a bordo do navio R/V Atlantis, que realizava experimentos acústicos no mar. A gravação foi feita com um Gray Audograph, equipamento lançado na década de 1940 que registrava sons em discos finos de plástico.

Esse formato ajudou o material a resistir ao tempo. Muitas gravações da época se perderam com a deterioração de fitas antigas, o que torna o disco preservado um exemplo raro de escuta submarina histórica.

O som do oceano mudou

Para especialistas em bioacústica, o registro pode ajudar a comparar como o ambiente sonoro do oceano mudou ao longo das últimas décadas.

Hoje os mares são considerados muito mais barulhentos. O aumento do tráfego marítimo, da exploração industrial e de outras atividades humanas alterou significativamente a paisagem sonora marinha.

Comparar gravações antigas com registros atuais pode revelar de que forma esses ruídos afetam a comunicação e o comportamento das baleias.

Tecnologia moderna monitora baleias

Atualmente, pesquisadores utilizam boias acústicas, hidrofones e robôs submarinos para monitorar sons no oceano.

Um dos projetos citados pela instituição é o Robots4Whales, que utiliza sensores capazes de identificar vocalizações de baleias em tempo real. Os dados podem ser enviados por satélite e ajudam cientistas a acompanhar populações desses animais.

Segundo os pesquisadores, ouvir o oceano se tornou uma ferramenta fundamental para compreender e proteger espécies vulneráveis de baleias.

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