O azeite pode ter um papel que vai além de dar sabor à salada. Um estudo norte-americano associou o consumo regular do alimento a um menor risco de morte por doenças cardiovasculares.
A pesquisa acompanhou 92.383 homens e mulheres nos Estados Unidos por até 28 anos. Ao longo do período, os participantes relataram periodicamente seus hábitos alimentares, permitindo aos pesquisadores comparar o consumo de azeite com diferentes desfechos de saúde.
Entre aqueles que consumiam mais de 7 gramas de azeite por dia, pouco mais de meia colher de sopa, o risco de morte por doença cardiovascular foi 19% menor do que entre os participantes que nunca ou raramente consumiam azeite.
O estudo também encontrou associações entre maior consumo de azeite e menor mortalidade por câncer, doenças neurodegenerativas e doenças respiratórias.
É importante, porém, entender o que o resultado significa. Trata-se de um estudo observacional de coorte (acompanhado ao longo do tempo), portanto, os resultados mostram uma associação entre o consumo de azeite e o risco cardiovascular, mas não permitem afirmar que o azeite, sozinho, tenha causado a redução observada.
O que importa é o que o azeite substitui
Os pesquisadores também analisaram o que acontecia quando 10 gramas por dia de manteiga, margarina, maionese ou gordura láctea eram substituídos pela mesma quantidade de azeite. A substituição esteve associada a reduções de 8% a 34% no risco de mortalidade total e por diferentes causas.
Quando o azeite foi comparado com outros óleos vegetais em conjunto, porém, não foram observadas associações significativas com menor mortalidade. Isso reforça a importância de olhar para o azeite não como um alimento que deve simplesmente ser acrescentado à dieta, mas como uma possível substituição para fontes de gordura saturada.
Segundo a nutricionista Aline Maldonado, consultora da Josapar, sua contribuição para a saúde cardiovascular está principalmente relacionada à qualidade da gordura presente na alimentação.
“O azeite de oliva é fonte de gorduras monoinsaturadas e contém compostos antioxidantes, especialmente quando na versão extravirgem. Sua presença na alimentação pode contribuir para um perfil de gorduras mais favorável à saúde cardiovascular, principalmente quando substitui alimentos ricos em gordura saturada.”
Quanto azeite consumir por dia?
Não existe uma quantidade diária de azeite estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para toda a população.
O Guia Alimentar para a População Brasileira orienta que óleos e gorduras sejam utilizados em pequenas quantidades para temperar e cozinhar alimentos e preparar refeições. A quantidade adequada pode variar conforme as necessidades individuais e o restante da alimentação.
Na prática, o azeite não precisa ficar restrito às saladas. Pode ser usado para refogar legumes, preparar arroz e feijão, finalizar sopas, acompanhar pães e compor molhos. O mais importante é considerar a quantidade total de gordura consumida e o que o azeite está substituindo.
Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que ocorram entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano no país. A OMS aponta que muitos dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares podem ser prevenidos ou controlados, entre eles alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo prejudicial de álcool e obesidade.
Por isso, o azeite deve ser entendido como parte de um padrão alimentar mais amplo, que inclua frutas, verduras, legumes, grãos, leguminosas, castanhas e fontes adequadas de proteína.
“Proteger o coração não exige eliminar os alimentos que fazem parte da cultura brasileira. Arroz e feijão, por exemplo, podem e devem permanecer no prato. O mais importante é observar a variedade, as proporções, a frequência de consumo dos alimentos ultraprocessados e as quantidades de sal, açúcar e gordura saturada consumidas ao longo do dia”, orienta Aline.








