Como o Super El Niño pode impactar o seu bolso no supermercado

O avanço do Super El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico equatorial, traz consigo um rastro de instabilidade meteorológica que afeta diretamente o campo, afinal altera o regime de chuvas, provoca secas prolongadas em algumas regiões e temporais devastadores em outras. No centro dessa rota de colisão está a segurança alimentar do país e, por consequência, o poder de compra do consumidor nos supermercados.

Quando lavouras de grãos, hortaliças e frutas sofrem quebras de safra ou perdas de qualidade devido ao clima, a situação não demora nada a repercutir no varejo, resultando em menos produtos disponíveis e preços mais altos para o consumidor final.  Itens essenciais que compõem a cesta básica, como arroz, feijão, milho (base para a ração animal), hortifrúti e carnes bovina e suína, tornam-se vulneráveis. O encarecimento dos insumos e a quebra de pastagens elevam os custos de produção pecuária, pressionando os preços da carne e do leite nas prateleiras dos supermercados.

 

A estratégia de defesa: As 163 medidas da Embrapa

Diante desse panorama e com o objetivo de mitigar os impactos econômicos e sociais sobre a cadeia produtiva, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entregou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma Nota Técnica abrangente contendo 163 medidas estratégicas. O documento funciona como um verdadeiro manual de resiliência climática para o agro brasileiro, estruturado com objetivo de orientar produtores rurais, cooperativas e gestores públicos na antecipação de riscos e na preservação da produtividade agrícola diante dos extremos do El Niño.

As diretrizes apresentadas pela pesquisa científica englobam desde o manejo adequado do solo e a conservação de água até a escolha de cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico e térmico. No setor de grãos, por exemplo, as recomendações enfatizam a adoção do plantio direto e o uso estratégico do zoneamento agrícola de risco climático (ZARC), permitindo que o produtor ajuste o calendário de plantio para escapar das janelas de maior severidade climática.

Já para a pecuária, o pacote técnico sugere o manejo intensivo de pastagens, a suplementação alimentar antecipada e sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que proporcionam conforto térmico aos animais e reduzem as perdas de produtividade leiteira e de corte.

Especialistas apontam que a eficiência na adoção dessas tecnologias no campo será fundamental para determinar a intensidade da inflação alimentar nos próximos meses. Sem mitigação adequada, os custos logísticos e de produção tendem a ser integralmente repassados ao consumidor final.

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