Ilha brasileira abriga uma espécie extraordinária e pouco conhecida, um dos animais mais raros do planeta.

Uma das espécies mais ameaçadas do mundo, com uma população estimada em menos de 50 indivíduos, encontra abrigo no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior área de proteção integral em Santa Catarina, localizada na cidade de Palhoça.

Estabelecido em 1975 e abrangendo uma extensão de 84.130 hectares, o parque foi criado para salvaguardar ecossistemas vitais da Mata Atlântica e fontes hídricas que servem à Grande Florianópolis e ao litoral sul do estado catarinense.

Neste ambiente, habita o Cavia intermedia, um mamífero que se destaca por ter a menor distribuição geográfica e o menor número de indivíduos registrados na Terra. Essa espécie é encontrada nas Ilhas Moleques do Sul, um arquipélago protegido dentro dos limites do parque estadual.

Cavia intermedia, um dos 20 pequenos mamíferos mais ameaçados do mundo.
Créditos: Wikipedia

O Cavia intermedia é um tipo de preá que descende da espécie Cavia magna, típica de áreas úmidas no sul da América do Sul. O seu isolamento geográfico resultou na formação de uma variedade exclusiva, adaptada às condições específicas do arquipélago onde reside atualmente.

Esse roedor pequeno ilustra um caso raro de especiação insular entre os mamíferos brasileiros, representando o fenômeno pelo qual populações isoladas evoluem separadamente ao longo de milênios, adquirindo características únicas.

Conforme informações do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, essa espécie é considerada uma das 20 mais ameaçadas globalmente entre os mamíferos de pequeno porte e está classificada como Criticamente em Perigo (CR) nos âmbitos Estadual, Nacional e Global.

A bióloga Luthiana Carbonell dos Santos, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), aponta que uma das principais ameaças à conservação do preá-de-moleques-do-sul é a reduzida diversidade genética dessa população.

Ela explica que, devido ao cruzamento restrito entre si durante esse processo evolutivo, os preás apresentam uma resistência menor a impactos externos e têm variabilidade genética limitada.

Isso significa que eventos aparentemente simples, como surtos de doenças, efeitos das mudanças climáticas ou incêndios florestais podem ter consequências devastadoras sobre a já frágil população desses animais.

No arquipélago onde habitam, desembarcar sem autorização prévia do Instituto do Meio Ambiente é estritamente proibido para evitar contaminação ambiental e prevenir a introdução indesejada de espécies exóticas.

Recentemente, além do preá-de-moleques-do-sul, o parque também ganhou notoriedade científica com a descoberta do anfíbio Brachycephalus tabuleiro, identificado por pesquisadores na região. Este animal pertence ao gênero Brachycephalus, conhecido popularmente como “sapinhos-pingo-de-ouro”, sendo característico da Mata Atlântica brasileira.

Esses anfíbios têm habitats restritos a morros específicos e fragmentos selecionados da floresta úmida. A unidade de conservação continua revelando novas descobertas devido à sua vasta extensão e à riqueza biológica presente em um dos biomas mais degradados do Brasil.

A Mata Atlântica abriga uma diversidade impressionante de ecossistemas, incluindo florestas densas, manguezais, restingas e dunas. No caso deste parque catarinense, ele também é composto por ilhas oceânicas.

A importância ecológica dessa área levou a UNESCO a designá-la como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecendo seu papel fundamental como um dos principais corredores ecológicos no sul desse bioma.

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